Wellington Dias critica prefeitos por flexibilização e afirma que medidas restritivas evitaram 1500 mortes

Governador relata que o número de óbitos no Piauí poderia ser maior

Por Jade Araújo,

O governador Wellington Dias (PT) teceu duras críticas aos prefeitos dos municípios do estado que estão optando pela flexibilização na retomada das atividades econômicas durante entrevista à TV Clube na tarde desta quarta-feira (10). Segundo o chefe do executivo estadual, o estado já evitou 1500 mortes com as medidas restritivas impostas até aqui em combate ao coronavírus. 

Wellington Dias - Foto: divulgação / Governo do Estado

O governador informou que na terça-feira (09) realizou uma reunião com todos os prefeitos e prefeitas dos municípios do Piauí para abordar sobre o pacto de retomada das atividades comerciais no estado. Sobre isso, Wellington teceu críticas a, segundo ele, uma pequena parte de gestores que está optando pela flexibilização do comércio sem olhar para os indicadores. 

"A preocupação maior hoje é a gente não perder isolamento, ou seja, sair só quem é autorizado, outra coisa, não ter município tomando medida diferente. Porque um município toma uma decisão de abrir lá o comércio aí você pergunta quantos leitos clínicos tem aqui? Quantos leitos de UTI tem aqui? Se estourar o leito, se não tiver vaga lá, ele vai para regulação. Onde ele vai achar vaga? Tem um paciente do outro município vizinho que tem vaga, fez o dever de casa, cumpriu a regra, cumpriu a lei e ele vai se desmantelar lá por conta do outro? Na hora que tiver cheio de caixões de defuntos lá, ai eu quero é ver quem é esse que está lhe pressionando e está do seu lado. Nenhum", explicou. 

Ainda durante a entrevista, Wellington Dias afirmou que o estado tem um limite, mesmo com respiradores suficientes para os pacientes com covid-19, o número de médicos no Piauí ainda é limitado. 

"Na hora que tiver gente morrendo porque não tem um respirador, não tem uma equipe. Nós temos um limite. O número de médicos no Piauí, todo mundo sabe, é limitado, mesmo que tenha os equipamentos, mesmo que tenha os respiradores, não tem como aumentar mais, a gente está chegando no nosso esgotamento. As pessoas estão exaustas, estão trabalhando de manhã, de tarde e de noite, é o pessoal da saúde, da segurança, da vigilância. É em nome dessas pessoas que a gente tem que ter a responsabilidade", relatou. 

Indicadores de leitos e outros seguem como principal ponto - Foto: divulgação / Governo do Estado

Outro ponto abordado pelo governador foram os dados que estão sendo analisados no estado. Um deles é de que na última semana o Piauí teve uma média de 14 mortes. Ontem, o boletim epidemiológico registrou 18 mortes por coronavírus no estado, um número alto. Porém Wellington Dias afirmou que esse número poderia ser maior, pois caso as medidas restritivas não estivessem sendo aplicadas, o número de óbitos já estaria em 1800. 

"A gente poderia estar com 1800 óbitos hoje, na realidade de hoje. Estamos com 283. A pergunta que eu faço, 1500 e poucas vidas humanas que deixaram de morrer no Piauí. Vale a pena ou não vale? Eu acho que vale. É a vida em primeiro lugar", afirmou. 

Isolamento social 

O decreto de isolamento social no estado segue até o dia 22 de junho. Sem data de retorno, os setores da construção civil, automotivo e saúde serão os primeiros a voltar às atividades. Porém, para que esses setores e outros setores reabram será preciso seguir a uma série de protocolos estabelecidos no pacto de retomada, que leva em conta 70% os dados epidemiológicos do município e os outro 30% em relação a parte econômica. 

"Primeiro pacto pela retomada ele é pactuado e, além disso, ele é organizado. Nós temos pessoas que saíram por desobediência, desorganizado, sem cumprir regras, e isso aumenta o risco. Por isso nós temos que combater quem estiver fora da lei, quem estiver fora da legalidade. Se cada lugar tomar uma decisão, cada empresa, cada município, então você tem uma bagunça geral. A pergunta que eu faço: quem toma essa decisão? Garante que tem UTI? Garante que tem leito clínico? Porque se adoecer as pessoas vai precisar disso. O que nós estamos fazendo é sendo organizado, sendo pactuado, sendo com base no plano que fizemos, nos temos projeções que diz que vamos entrar em colapso. Esse é o principal", pontuou Dias.

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