Novas regras ampliam prazo para doar sangue após alguns procedimentos

Mudanças permitem doações após os 70 anos e reduzem espera para tatuagens e endoscopias

Por Redação Portal AZ,

Novas regras para doação de sangue no Brasil entram em vigor em 30 de setembro e alteram critérios de idade, prazos de espera e procedimentos de segurança. Entre as mudanças estão a possibilidade de doadores regulares continuarem após os 70 anos e a redução do período exigido depois de tatuagens, piercings e exames como endoscopia.

Foto: Reprodução Tomaz Silva/Agência BrasilNovas regras alteram critérios e prazos para doação de sangue no Brasil.
Novas regras alteram critérios e prazos para doação de sangue no Brasil.

As alterações foram anunciadas pelo Ministério da Saúde e estão previstas na Portaria GM/MS nº 11.685/2026. O regulamento também modifica os testes realizados nas bolsas coletadas, o sistema de identificação do material e o período de armazenamento das plaquetas.

Pelas novas regras, pessoas que já doam regularmente poderão continuar após os 70 anos, desde que estejam em condições adequadas de saúde e sejam aprovadas na avaliação realizada antes da coleta.

A exigência geral para a doação permanece: é preciso estar saudável, pesar pelo menos 50 kg, estar descansado e alimentado e apresentar documento oficial com foto, inclusive em formato digital. Adolescentes a partir dos 16 anos também podem doar, desde que tenham autorização do responsável.

Tatuagens e procedimentos estéticos

Uma das principais mudanças está relacionada ao intervalo necessário após tatuagens, maquiagem definitiva e micropigmentação.

Atualmente, a espera pode chegar a seis meses quando o procedimento é realizado em local que segue as normas de segurança. Com a nova regra, o prazo será reduzido para sete dias nessas condições.

Quando não for possível comprovar que o estabelecimento atende aos requisitos de segurança, o período de espera será de quatro meses.

A regra também passa a contemplar procedimentos estéticos como aplicação de botox, preenchimento e microagulhamento.

Piercings e endoscopia

O período para doação após a retirada de piercing na boca ou na região genital também será reduzido. A espera, que atualmente é de 12 meses, passará para quatro meses.

Para pessoas que realizaram endoscopia ou colonoscopia, o intervalo cairá de seis para quatro meses.

O mesmo prazo de quatro meses será aplicado a quem utilizou anabolizantes sem prescrição médica. Antes, era necessário aguardar seis meses.

Exposição à malária

A regulamentação também modifica o critério para pessoas que tiveram contato com áreas de risco de malária.

Com a implantação de um novo teste no sangue coletado, quem esteve em municípios considerados de risco ou teve exposição em áreas de mata, bosque ou floresta deverá aguardar 30 dias antes de doar.

O exame, chamado NAT Plus, já é utilizado para identificar HIV e hepatites B e C. A partir das novas regras, o teste para malária será obrigatório em todas as doações.

Segundo o Ministério da Saúde, a mudança permite reduzir o período de impedimento em determinadas situações de exposição à doença.

Identificação das bolsas e armazenamento

As bolsas de sangue e as amostras coletadas também passarão a utilizar o sistema internacional de identificação ISBT 128. A tecnologia permite acompanhar o material desde a coleta até a transfusão ou o encaminhamento do plasma para a fabricação de medicamentos.

Outra alteração envolve as plaquetas. O período máximo de armazenamento poderá passar de cinco para sete dias, desde que sejam cumpridos os critérios de controle de qualidade.

As plaquetas são utilizadas principalmente em transfusões de pacientes com câncer, pessoas submetidas à quimioterapia e indivíduos com doenças do sangue. A ampliação do prazo pode ajudar a diminuir perdas e aumentar a disponibilidade do componente.

Em 2025, o Sistema Único de Saúde (SUS) registrou 3.264.138 coletas de sangue, o equivalente a 15,29 doações por mil habitantes. Foi a maior taxa registrada desde o período da pandemia.

Fonte: SBT News

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