Polilaminina: o que mostram os estudos e os próximos passos após aval da Anvisa

Pesquisa iniciada na UFRJ indica recuperação motora em lesão medular aguda; testes clínicos em humanos vão avaliar segurança e eficácia antes de possível uso amplo

Por Redação Portal AZ,

Uma rede de proteínas capaz de restabelecer a comunicação entre cérebro e corpo após lesões medulares graves colocou o Brasil no centro de uma nova frente da medicina regenerativa. A polilaminina, desenvolvida na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), teve estudo clínico autorizado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e entrará em fase de testes em humanos nos próximos meses, após apresentar resultados preliminares considerados promissores em pesquisa acadêmica.

Foto: ReproduçãoPolilaminina: o que mostram os estudos e os próximos passos após aval da Anvisa
Polilaminina: o que mostram os estudos e os próximos passos após aval da Anvisa

A substância foi criada a partir de proteínas da matriz extracelular que funcionam como uma estrutura de suporte para reconectar fibras nervosas rompidas. O projeto é liderado pela bióloga Tatiana Sampaio, que há quase 30 anos investiga formas de regeneração do tecido nervoso.

Em um estudo com oito pacientes com lesão medular completa, 75% apresentaram algum grau de recuperação motora — índice muito superior aos cerca de 10% descritos na literatura médica para esse tipo de quadro. Os avanços incluem melhora na autonomia, retomada de movimentos e recuperação parcial de funções fisiológicas.

Os dados, embora relevantes, ainda não permitem o uso clínico amplo. O protocolo aprovado pela Anvisa prevê as três fases tradicionais de pesquisa, necessárias para confirmar segurança, dosagem adequada e eficácia em um grupo maior de pacientes.

Outro fator determinante é o tempo de aplicação. A evidência disponível indica que o tratamento tem maior potencial quando realizado até três dias após o trauma, antes da formação da cicatriz na medula. Não há comprovação científica de benefício em lesões crônicas.

A divulgação dos resultados aumentou a procura pelo tratamento e levou pacientes a buscar acesso por meio de decisões judiciais. Pesquisadores e órgãos reguladores defendem que o uso ocorra dentro dos estudos clínicos, para garantir evidências sólidas e evitar riscos.

Caso os testes confirmem os resultados iniciais, a polilaminina poderá representar uma das principais mudanças no tratamento de lesões medulares nas últimas décadas.

Fonte: Com informações do G1

Comente

Pequisar