Direto da Redação: Rede Sol e os contratos milionários

Como o PCC entrou em governos e virou alvo de delações

A empresa e o PCC

A Operação Carbono Oculto, deflagrada pelo Ministério Público de São Paulo, Polícia Federal e Receita Federal, atingiu em cheio a Rede Sol Fuel Distribuidora. A empresa, que mantém contratos que somam R$ 424 milhões com órgãos federais e forças de segurança, é apontada como pertencente ao empresário Valdemar de Bortoli Júnior, investigado por manter vínculos com o PCC.

Entre os contratos estão R$ 3,1 milhões com a Presidência da República, R$ 148 milhões com a PM do Rio, R$ 154 milhões com a Aeronáutica, além de valores com os ministérios da Fazenda e da Saúde. Promotores afirmam que a Rede Sol abastece desde veículos oficiais da Presidência até aeronaves militares.

Foto: Receita FederalOperação Carbono oculto
Os indícios mostram o estreito vínculo entre empresas e o PCC

Conexões perigosas entre PCC e política

As revelações da Operação Carbono Oculto reavivam denúncias antigas sobre relações entre política e crime organizado. Em 2022, em delação homologada pelo ministro aposentado Celso de Mello, Marcos Valério disse que o PT recebia recursos de empresas ligadas a bingos usados pelo PCC para lavar dinheiro. O ex-prefeito Celso Daniel teria elaborado um dossiê sobre esses repasses, jamais encontrado.

Em 2019, escutas da Polícia Federal flagraram líderes do PCC afirmando que “o PT tinha diálogo com nois cabuloso”. Agora, a descoberta de que uma distribuidora de combustíveis usada por órgãos centrais do Estado pode estar infiltrada pelo crime organizado reabre a pergunta: até onde vão as conexões entre política, facções e contratos públicos?

Mitomóvel

Thiago Junqueira tirou o mitomóvel da garagem e foi passear, até a Ponte Estaiada, com seu candidato a governador Tony Rodrigues.

Foto: ReproduçãoThiago Junqueira no mitomóvel e Tony Rodrigues
Thiago Junqueira no mitomóvel e Tony Rodrigues

A posse de Brandão

A posse do desembargador federal Carlos Brandão no cargo de ministro do Superior Tribunal de Justiça foi das mais concorridas dos últimos tempos. Juntou o mundo jurídico e o mundo político.

Foto: ReproduçãoPosse Brandão
Foto: ReproduçãoMarluce Caldas

A posse de Brandão 2

Além de senadores, deputados e até suplentes, estiveram presentes o governador Rafael Fonteles, o presidente do Tribunal de Justiça, desembargador Aderson Nogueira, autoridades do Judiciário, da Universidade Federal – onde Brandão é professor. Todo mundo fez festa ao novo ministro.

Foto: ReproduçãoNinguém entendeu o senador Marcelo Castro, em pé, na igreja, com cara de poucos amigos fitando o prefeito Silvio Mendes, de joelho, rezando
Ninguém entendeu o senador Marcelo Castro, em pé, na igreja, com cara de poucos amigos fitando o prefeito Silvio Mendes, de joelho, rezando

A conta

Mas nem todo mundo ficou satisfeito ou seguiu para a festa, a grande recepção que aconteceu no Clube do Exército. Alguns disseram que não estavam preparados para o evento, que reuniu mais de 800 convidados, ao preço de 700 reais por cabeça. Alguns desistiram pela conta salgada.

Ausência sem explicação

A inauguração da ponte de R$ 36 milhões, ligando Piauí e Maranhão, ficou marcada não apenas pela obra entregue, mas pela ausência do governador Rafael Fonteles. O detalhe que chamou ainda mais atenção foi o fato de Fonteles não ter transmitido oficialmente o cargo ao vice, Themistocles Filho, como prevê a praxe em viagens internacionais. A atitude reforçou a leitura de que o clima entre os dois não é de confiança, alimentando rumores de desgaste dentro da base governista.

Atrito com aliados

A desistência de Fonteles em comparecer ao evento, depois de ter confirmado presença, gerou desconforto político. Nos bastidores, a ausência foi interpretada como reflexo de atritos internos, sobretudo com o vice Themistocles Filho e com o senador Wellington Dias, que ganha espaço e influência cada vez maior no grupo.

Versão de Brasília

Uma fonte de Brasília trouxe uma versão ainda mais incômoda: após participar da posse do novo ministro do STJ, o governador não teria condições físicas de cumprir agenda oficial.

Publicidade restrita

As três licitações recentes da Secretaria de Saúde do Piauí — Pregões nº 43/2023, 45/2023 e 64/2024 — somam quase R$ 80 milhões em contratos. Os editais foram divulgados no Diário Oficial, no jornal Meio Norte e no site da Secretaria.

A publicação no Portal Nacional de Contratações Públicas, obrigatória pela Lei nº 14.133/21, não foi realizada.

Baixa competitividade

Em duas das licitações apenas três empresas concorreram, todas do Piauí. Entre elas estavam microempresas que, por lei, só podem faturar até R$ 360 mil anuais.

Em ambas as disputas, os lances dessas microempresas foram feitos no mesmo dia, com minutos de diferença, e sempre acima da vencedora.

Contratos concentrados

A empresa Medsafe Soluções em Saúde Ltda. venceu os três pregões. Os contratos, já em vigor, totalizam mais de R$ 45 milhões em valores iniciais, podendo superar R$ 80 milhões com atualizações.

Todos os pagamentos têm origem em recursos do SUS e de outros fundos federais da saúde.

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