Direto da Redação: quando a vitória pode esconder a derrota
Rafael sabe que Wellington queria o filho para vice. Que se prepare para o jogo silencioso de forças
Jogo de bastidor
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Nos corredores discretos da política piauiense, onde decisões são tomadas mais em salas reservadas do que em palanques, a definição da chapa majoritária governista para as próximas eleições foi menos uma construção coletiva e mais um jogo silencioso de força.
Oficialmente, a novela terminou
Washington Bandeira será o candidato a vice-governador, Júlio César disputará o Senado,
e Marcelo Castro tentará a reeleição.
O jogo começa
Para quem olha de fora, parece que o governador Rafael Fonteles conseguiu exatamente o que queria. Mas, nos bastidores, a história é outra. E alguns veteranos da política já sussurram que essa aparente vitória pode ser apenas o primeiro sinal de rachaduras no castelo governista.
A divergência que mudou o rumo da conversa
Desde o início das negociações, havia duas leituras dentro do grupo.
De um lado, Wellington Dias defendia uma solução mais ampla e politicamente estável. Na avaliação dele, o melhor caminho seria acomodar o PSD na vice-governadoria, mantendo o equilíbrio entre os partidos da base e garantindo ao PT mais uma candidatura forte além da de Marcelo Castro ao Senado.
Era a velha lógica da política de coalizão: dividir para somar.
Do outro lado, Rafael Fonteles tinha uma prioridade clara e inegociável. Desde o início das conversas, deixou evidente que não aceitaria outro cenário que não fosse a indicação de Washington Bandeira, seu colega dos tempos de Dom Barreto, para a vaga de vice-governador.
A insistência surpreendeu parte do grupo político.
Alguns aliados passaram a perceber que aquela negociação deixava de ser estratégica para se tornar pessoal.
O alerta que não foi ouvido
Entre os mais experientes da mesa de negociação, Wellington Dias foi um dos que levantaram o alerta.
Na sua avaliação, insistir nessa composição poderia custar caro ao grupo.
A leitura era simples.
Retirar Júlio César do centro da equação poderia gerar ruídos no PSD e abrir um flanco perigoso dentro da base. A alternativa que alguns defendiam era justamente o contrário — trazer o PSD para a vice-governadoria, acomodar as forças políticas e reduzir tensões.
O clima
Mas o clima das conversas mudou quando surgiu outro elemento inesperado:
a fusão cruzada entre MDB e PSD, que começou a redesenhar o tabuleiro político.
Aliados mais atentos passaram a perceber que o cenário poderia se tornar mais complexo para o grupo governista.
Ainda assim, Rafael seguiu firme no objetivo de garantir o nome de Washington Bandeira.
Joel será o candidato
Ninguém confirma, mas todos os meios de informação dizem desde o começo da manhã de domingo que hoje, ao meio-dia e meia, Joel Rodrigues será anunciado como o candidato do PP ao governo do Piauí.
A formalização do nome dele só sacramenta o que a base do PP e oposição já sinalizava.
Recall e organicidade
Além de a base perceber Joel como um nome com potencial eleitoral maior que o da ex-deputada Margarete Coelho (que é Lula em Brasília e oposição no Piauí), pesou a favor dele o recall da eleição para senador, na qual ele ficou a 63 mil votos de derrotar Wellington Dias ao Senado.
A campanha de senador de 2022 deu a Joel uma organicidade grande, ou seja, a maior capacidade de atrair o interesse do eleitor.
Inercial poderoso
Com isso, Joel Rodrigues já chega na campanha com musculatura para crescimento, um ponto inercial forte para se projetar num campo em que o adversário luta não somente contra a oposição, mas contra a fadiga de material e as rupturas internas.
O governo do PT precisa conter o fogo de monturo, aquele que queima por dentro e nem ele mesmo pode se dar conta da existência.
Te cuida, Rafael!
O governador Rafael Fonteles celebra pesquisas eleitorais que o colocam com mais de dois terços das intenções de voto.
Deveria tomar cuidado com esse tipo de pesquisa, ouro dos tolos cujo brilho cegou a ele mesmo e a Fábio Novo, seu derrotado candidato a prefeito de Teresina em 2024.
Sem entregas
O marketing e a publicidade podem pintar um quadro bonito da realidade, mas é preciso saber se a propaganda bonita faz o produto ficar bom. Não parece o caso.
O governo de Rafael Fonteles deve entregas gigantescas na economia, na saúde e na educação.
Por enquanto vai se salvando em infraestrutura viária (excluído o Metrô, que vai virar problema em Teresina) e na segurança, onde os números e os delegados influencers cuidam de fazer uma boa imagem. O famoso calçamento que faz todos os secretários religiosos…