Direto da Redação: Joel, a ameaça real. Até o “índio” gostou

Rafael se fechou em si mesmo, voltado para um grupo restrito — os já conhecidos “Rafaboys”

A ameaça

O lançamento da pré-candidatura de Joel Rodrigues ao Governo do Estado marca, talvez pela primeira vez desde o início da atual gestão, o surgimento de uma oposição real, com identidade, discurso e, sobretudo, conexão com o povo.

Foto: Reprodução | Joel RodriguesJoel Rodrigues
Joel Rodrigues entra em campo para enfrentar um gigante

Era conforto

Até então, o governo Rafael Fonteles navegava em um cenário de conforto político, sem enfrentamento consistente.

Um governo que se fechou em si mesmo, voltado para um grupo restrito — os já conhecidos “Rafaboys” —, criando uma bolha administrativa marcada por tecnocracia, elitismo e distanciamento da realidade social do Piauí profundo.

Foto: AscomRafael Fonteles
Rafael se perdeu no caminho. Entregou o governo para os amigos, que só tiram, pouco somam

A chegada de Joel muda esse jogo.

Joel Rodrigues não é apenas um nome. Ele carrega uma narrativa. E já mostrou um grande feito: a humilhante derrota que impôs ao grande paxá da política, Wellington Dias, em 2022 em quase 200 municípios.

Certamente, esses territórios continuam lhes sendo favoráveis.

Não vamos dizer aqui que Joel é melhor que Rafael por ser “filho de carroceiro, negro, vindo da periferia, forjado na dificuldade”. Isso é literatura de cordel. Como diria o carnavalesco Joãozinho 30, quem gosta de miséria é intelectual.

Foto: DivulgaçãoCiro Nogueira
Ciro Nogueira, padrinho da candidatura de Joel.

Sua história conta

O bom currículo é ser bom gestor, que foi, como prefeito de Floriano.

Mas não custa dizer que Joel representa uma parcela da sociedade historicamente excluída desde os tempos do Império. Sua trajetória dialoga com o sentimento popular, com quem conhece a dureza da vida não por estatística, mas por experiência.

E é exatamente aí que nasce o contraste.

De um lado, Rafael Fonteles: um gestor de gabinete, que não anda no meio do povo, cercado por representantes de uma elite de classe média alta, um homem jovem que não passou dificuldade na vida, que, talvez por isso, não tem apreço ao diálogo, à troca de ideia, energia, a ouvir o próximo, com um governo percebido como fechado, distante, pouco sensível às dores reais e aos problemas da população. Um governo que, para muitos, administra para poucos.

Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência BrasilMinistro do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome, Wellington Dias
Wellington Dias gostou, mas não diz, da candidatura de Joel

O outro é povo

Do outro, Joel Rodrigues: um político com “cara de povo”, que fala a linguagem das ruas, que carrega no corpo e na história as marcas da desigualdade que grande parte da população ainda enfrenta.

Esse contraste inevitavelmente remete a 2002.

Naquele momento, o Piauí também vivia um sentimento de esperança, canalizado por uma figura que representava ascensão social, origem humilde e identificação popular: Wellington Dias. A política deixava de ser apenas técnica e passava a ser também simbólica — um instrumento de pertencimento.

Wellington, entretanto, perdeu-se no caminho. Se transformou no oligarca que tanto combateu. Em quatro gestões, produziu analfabetos, deixou o Piauí em índices sociais abaixo da média e segue fazendo a política dos amigos.

Joel parece resgatar esse espírito.

Ele surge como uma espécie de “PT raiz” de 2002 em meio a um governo que muitos já enxergam como distante das suas próprias origens ideológicas, que não tem apreço a ideias de esquerda, embora seja do PT. Enquanto Rafael representa a vontade de passar a imagem de técnico, Joel representa a reconexão social.

A pergunta que começa a ecoar nos bastidores — e agora também nas ruas — é inevitável:

Será que o mesmo sentimento que impulsionou Wellington Dias no passado pode, agora, impulsionar Joel Rodrigues?

Se a eleição for decidida apenas por números, gestão e indicadores, o governo pode até ter vantagem. Mas se for decidida por sentimento, identificação e esperança — terreno onde a política se torna verdadeiramente viva — Joel entra no jogo com uma força que não pode ser ignorada.

Porque, no fim das contas, eleição não é só sobre quem governa melhor.

É sobre quem representa melhor o povo.

Foto: ReproduçãoMarcelo Noleto
Marcelo Noleto, o comunicador, precisa mudar todo o marketing em torno de Rafael. Ah… mas sabe?

Emendas venenosas

Dois deputados maranhenses foram condenados pelo STF por corrupção envolvendo emendas parlamentares.

Josimar Maranhãozinho e Bosco Gil são do PL.

Se isso é o início de uma grande moralização, é sinal de que o Piauí e demais estados estão na mira.

O fundo e a fenda

O Solidariedade está cada vez mais se tornando um partido de aluguel, especialmente no Piauí. Só no Piauí?

O fundo do poço

Evaldo Gomes, o eterno donatário do partido, teve que se filiar ao PT para garantir a sobrevivência política, mas foi atrás da direção nacional do partido, para deixar um preposto no lugar, que atende pelo nome de Sérgio Bandeira.

Foto: Lucas Sousa/ Portal AZEvaldo Gomes
Evaldo Gomes é PT, mas controla o Solidariedade. Olho no fundo

O jogo do verbo

Em jogo, a gorda verba do partido, que pode garantir a eleição de Evaldo, no PT, ou, em relação ao preposto, reforça o seu caixa nas fatias a serem distribuídas. Será esse o sentido e destino da verba das eleições, o famigerado fundo eleitoral de bilhões?

A verba e o ralo

Ou será que não tem fiscalização nisso, e o partido que tem quase 200 milhões em caixa vai distribuir a grana desregradamente Brasil afora, e vai deixar logo a direção nacional de fora dessas negociatas estaduais? Pelo sim, pelo não, vale a pena conferir, investigar, e procurar saber onde foi parar a dinheirama.

Passando a limpo

Rafael exonerou do DER o sujeito que foi preso por matar um motociclista.

E os que matam as necessidades do povo tirando um terço de cada obra, vão ficar?

Foto: ReproduçãoAnos 70: governador Dirceu Arcoverde numa passeata com Altamiro de Area Leão.  O menino de camisa preta é o hoje calvíssimo Aloisio Arcoverde
Anos 70: governador Dirceu Arcoverde numa passeata com Altamiro de Area Leão. O menino de camisa preta é o hoje calvíssimo Aloisio Arcoverde

A idade do Zé

José Dirceu comemorou 80 anos, numa festa que reuniu gente grande do PT.

Mostrou que ainda tem peso.

E virilidade, namora uma jovem que poderia ser neta.

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