Direto da Redação: Rafael manda economizar até os centavos

Governador vem operando com um déficit que ele diz não existir, mas que está na casa de R$ 1,2 bi

Contando centavos

O governador Rafael Fonteles (PT) mandou seus auxiliares cortarem despesas até nos centavos.

Numa condição de quase insolvência e sem liquidez (dinheiro em caixa facilmente disponível), o governo tá naquela de vender o almoço para comprar o jantar.

Foto: ReproduçãoSecretaria da Fazenda
Por aqui saiu o dinheiro que endividou o Estado. Agora Rafael quer economizar até os centavos

Contando centavos 2

A penúria financeira em que o governador colocou o Piauí está atingindo a festejada educação em tempo integral: a alimentação escolar está sendo dada em medida mínima; cortaram-se recursos para o transporte de estudantes, reduzindo o número de ônibus para o transporte escolar; estão sendo limitadas até o número de cópias de provas e trabalhos escolares.

Foto: Governo do PiauíRafael Fonteles
Rafael já deu o recado: que os auxiliares economizem. Onde? O saco furou

Contando centavos 3

Insumos para funcionamento de hospitais também estão sob controle – e risco de falta, evidentemente.

Há orientações para que se reduza o uso de veículos de serviço, inclusive viaturas policiais, porque há menos grana para abastecer.

Falta o básico

O que se percebe é que vai de mal a pior o Estado que tomou bilhões em empréstimos, que paga um serviço da dívida cada vez mais elevado e tem problemas porque a receita não cresce na mesma medida das despesas não discricionárias – aquelas que o governo não pode deixar de realizar.

Agiotagem

Há histórias de que o governador está todo endividado, pessoalmente, com empréstimos junto a financiadores informais, que no popular se chamam de agiotas.

Falam de um afoito e destemperado financista do Maranhão que já teria feito ameaças, caso não receba os R$ 300 milhões que emprestou para a campanha passada.

Mas isso deve ser fofoca de adversários. Deve ser.

Hotel

O prédio onde funcionou a Junta Comercial do Estado e em que antes se instalava o Serviço Social do Estado, depois Secretaria de Assistência Social, foi vendido pelo governo do Piauí e está passando por uma reforma para funcionar como hotel.

Chuvas e emergência

Afetadas por seca no ano passado, três cidades do Piauí, Brejo do Piauí, Coronel José Dias e Parnaguá, agora estão sob situação de emergência em razão de chuvas intensas.

A decisão está em portaria publicada nesta quinta-feira no Diário Oficial da União pela Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil.

Carro-pipa

O mais curioso é que seguem os credenciamentos para distribuição de água em carros-pipa no Estado, mesmo com chuvas intensas.

Na mesma edição do Diário Oficial da União, estão publicados avisos de credenciamento desses veículos de serviço nas cidades de Patos do Piauí, Betânia do Piauí, Caridade do Piauí, Capitão Gervásio Oliveira e Curral Novo do Piauí.

Foto: Reproduçãocarro-pipa
Carro Pipa dá lucro mesmo no intenso inverno

Captação

A empresa Águas do Piauí foi autorizada pela Agência Nacional de Águas a captar água para distribuição no rio Piracuruca, no município do mesmo nome.

Obras milionárias

A Prefeitura de Parnaíba acaba de homologar contrato com a empresa EBN Engenharia e Construção Ltda., no valor de R$ 17,821 milhões para fornecimento de mão de obra da construção civil para execução de serviços diversos com atuação em construção, reforma, ampliação, adaptação, manutenção e conservação de prédios e logradouros públicos do município.

Unidade de saúde

A Prefeitura de São Francisco de Assis do Piauí vai pagar R$ 2,1 milhões à empresa AKR Prado pela construção de uma Unidade Básica de Saúde naquele município.

Pedro 2026

Pedro Alcântara anuncia que será candidato a deputado estadual neste ano e espera uma votação recorde em Teresina para chegar à Assembleia Legislativa.

Outro vereador do PP, Petrus Evelin, também deverá disputar uma cadeira e, como já dito aqui, deve ser eleito.

Foto: Pedro AlcantaraCPIs do fracasso
Pedro Alcantara se lança candidato à Assembleia Legislativa
Foto: CMTPetrus Evelyn
Petrus Evellyn escala a Assembleia Legislativa


Filiações

Ontem o MDB anunciou a filiação de Dogim Félix e Gracinha Mão Santa no MDB, será no próximo dia 23 às 13h.

Foto: ReproduçãoDe não cumprir acordos, Gracinha está sendo comparada a Nixon. Você compraria uma lancha usada por ela?
Gracinha vai para o MDB

No caso de Dogim Félix, filho do prefeito de Campo Maior, que perdeu a eleição para prefeito de Jatobá do Piauí, não é apenas um movimento partidário — é a confirmação de uma aliança política que já vinha sendo construída nos bastidores. Joãozinho Félix e Rafael Fonteles agora caminham lado a lado, unidos não só por conveniência eleitoral, mas por uma visão muito semelhante de gestão pública.

Foto: ReproduçãoPrefeito Joãozinho Félix (PP) e seu filho Dogim Félix
Doginho Felix e o pai, Joaozinho, no MDB

Velha prática

Na terra dos carnaubais se vê a velha prática de transformar a prefeitura em extensão da própria família, fazer de Campo Maior o quintal da sua casa (dos Félix). Com Fonteles, a ocupação do Estado por um grupo restrito de amigos, como se o poder público fosse uma república privada de Dom Barreto, um protetorado dos Rafaboys.

No fim, muda o discurso, mudam os nomes — mas a lógica é a mesma: tratar o que é de todos como se fosse de poucos, como se fosse privado.

Lá vem o Joel!

Nos últimos dias, quem circula pelos espaços mais comuns da vida cotidiana no Piauí — bares, restaurantes, academias, barbearias, rodas de conversa — percebe uma mudança clara de ambiente: a política voltou a ser assunto vivo. E mais do que isso, voltou a ser debatida com franqueza.

A pré-candidatura de Joel Rodrigues acendeu algo que estava adormecido: o interesse genuíno e a coragem de dizer, em voz alta, o que antes só era dito em off.

Foto: Joel RodriguesJoel Rodrigues
Joel Rodrigues nem começou a tratar da candidatura e já tem quase 30% na pesquisa AtlasIntel.
Rafael, que se segurava sempre nos 80%, caiu para 56%.

E o que está vindo à tona não é pouca coisa.

Uma das “obviedades” que começa a ganhar corpo nessas conversas é a percepção de que o governo Rafael Fonteles, de “PT raiz”, tem apenas o rótulo — e nem isso convence mais. A expectativa de reeleição, dizem muitos, não se sustenta em legado, obra ou transformação concreta, mas sim no velho e conhecido fator: o uso da máquina pública.

Quando provocadas, essas mesmas pessoas que apostam na reeleição têm dificuldade em responder uma pergunta simples:

o que, de fato, mudou na vida do povo?

Cadê as obras

Não há uma obra emblemática, um programa transformador, um marco que tenha alterado a realidade social de forma perceptível. O discurso técnico existe, mas a percepção popular não acompanha. O que mais se ouve nessas conversas é que quem mudou de vida de verdade foram os Rafaboys e seu ciclo mais próximo, como o agora empresário proprietário de empresa que fatura perto da casa dos 100 milhões no Estado do Piauí, o ex-poeta Alexandre Noleto, irmão do secretário de Comunicação Marcelo Noleto, para citar um exemplo.

Foto: IzânioCharge de Izanio
Charge de Izanio

Ironia política

E nesse vazio, surge uma ironia política quase simbólica: a única “bandeira” visível do governo parece estar no sobrenome do pré-candidato a vice-governador, Washington Bandeira. Fora isso, falta identidade, falta causa, falta conexão.

É nesse cenário que Joel Rodrigues entra — e entra com impacto.

Seu discurso de lançamento não foi apenas político, foi humano. Tocou. Emocionou. Há quem diga, sem exagero, que Joel “faz até a pessoa mais indiferente e insensível chorar” ao contar sua história. Mas reduzir sua candidatura a uma narrativa de superação seria um erro.

Joel não é apenas o homem que venceu as dificuldades.

É também gestor testado.

Foi prefeito de Floriano, uma das maiores cidades do estado, e deixou uma gestão bem avaliada, sem recorrer à lógica de concentração de poder em uma pequena casta. Não governou para um grupo fechado. Não criou “clubes exclusivos” de influência. Além de ter demonstrado desapego ao deixar o cargo de prefeito, com uma futura eleição de deputado bem encaminhada, para disputar o Senado em 2022 e por muito pouco não se elegeu em cima de Wellington Dias.

O incômodo

E aqui está outro ponto que começa a incomodar nos debates: a comparação inevitável com o modelo atual.

O governo Rafael Fonteles é cada vez mais associado a um núcleo restrito de poder — os chamados “Rafaboys” — que orbitam cargos estratégicos e, quando não estão formalmente no governo, aparecem próximos a empresas que prosperam intensamente sob sua influência. Soma-se a isso uma rede de relações que envolve parentes, aliados e amigos, reforçando a sensação de um governo que circula em torno de si mesmo, das mesmas poucas pessoas que antes eram classe média alta e oriundas do elitista Colégio Dom Barreto.

Joel, por sua vez, já deixou claro: não há, nem haverá, um grupo equivalente esperando para “tomar de conta” do Estado.

E mais.

Sua postura política tende a se alinhar a um modelo já conhecido e aprovado: o de Silvio Mendes. Quando eleito prefeito da capital, Silvio contou com apoio decisivo de Ciro Nogueira, manteve a aliança, mas nunca permitiu que isso significasse interferência negativa na sua gestão. Governou com independência, sem subserviência.

É esse tipo de equilíbrio que Joel sinaliza.

No fim, o que se desenha no Piauí não é apenas uma disputa eleitoral.

É um choque de modelos.

De um lado, um governo que quer ser percebido como técnico, porém distante da população, fechado e concentrado em uma pequena casta de Rafaboys.

Do outro, uma candidatura que resgata o debate político, reacende o sentimento popular e expõe, sem rodeios, as fragilidades que antes eram sussurradas.

E talvez o maior efeito da entrada de Joel Rodrigues não seja, ainda, eleitoral.

Seja simbólico.

Porque, pela primeira vez em muito tempo, o povo voltou a falar de política… sem medo de dizer o que realmente pensa.

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