Direto da Redação: a armadilha das pesquisas. Lula e o risco de perder
Tem instituto que mostra que Lula está muito ruim, que a narrativa é de declínio terminal
Olhai os números
Mas essa conversa não resiste aos números. As pesquisas presenciais — mais confiáveis que as online — mostram outra realidade. A CNT/MDA, que é referência, revela que Lula vence em todos os cenários de segundo turno, com margem acima do erro estatístico.
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Vantagem e o cálculo
A vantagem do presidente é sólida e vem de dois lugares: sua força própria e, principalmente, da fragilidade da direita não bolsonarista, que permanece fragmentada e incapaz de se unir em volta de um nome único.
Quem fala que Lula está destruído ignora o resultado mais importante: ele ganha em qualquer cenário contra qualquer candidato da direita. Isso não é situação de candidato em colapso.
Lula quer o confronto com Trump para subir mais nas pesquisas
Lula viveu seu melhor momento de avaliação quando enfrentou Trump no “tarifaço”. Saiu vitorioso do embate, ganhou autoridade internacional, alimentou o discurso de estadista que resiste aos caprichos do mercado global. E funcionou. Aquele foi o caminho que já deu certo.
A aposta agora é repetir a fórmula.
Novo confronto com Trump, novo pico de popularidade.
Lula sabe que, nessa arena — na disputa com o presidente americano —, ele cresce. É seu espaço natural de força. Confronto com potência global, vitória tática, discurso de resistência. É a receita que já provou funcionar. E há tempo ainda para que Trump volte à cena de forma que permita a Lula recolocar o confronto no centro da disputa política brasileira.
Bolsonaro não une a direita
O grande fracasso de Bolsonaro é justamente este: não consegue unir a direita. Aquele que prometeu ser o salvador do conservadorismo, que prometeu dar unidade ao bloco anti-PT, apenas a despedaçou.
A fragmentação é real e visível: Zema em Minas, Nunes em São Paulo, Ratinho Jr. no Paraná — cada um puxando para seu lado, cada um vendo na presidência uma oportunidade pessoal.
Essa desunião é tudo. Explica completamente por que Lula está onde está. Não é gênio político presidencial. É direita fragmentada, incapaz de construir projeto alternativo coeso, algo que tenha um projeto de país, de desenvolvimento. A direita não entrega isso, somente trabalha na rejeição a Lula, ao PT, abusando de fake news e de um discurso etarista. Multiplica-se candidatos na direita e enfraquece-se qualquer chance de construir narrativa unificada. Bolsonaro prometeu unir; deixou destroços. E Lula colhe o resultado.
Zema: o esperto que criou os “intocáveis”
Enquanto a direita se fragmenta, Zema faz jogo diferente. Criou os “intocáveis” contra ministros do STF — tática de confronto controlado, barulho o suficiente para ganhar visibilidade, moderado o bastante para evitar consequências maiores. É confrontação à la carte.
E aqui vem o trunfo político: coleciona vexames — impeachment na Câmara, confusão institucional, derrotas processuais — e transforma tudo em narrativa de perseguição.
Vira vítima sofisticada
Zema usa a inimizade com o Judiciário não para se destruir, mas para se posicionar como resistência, aquele que enfrenta mesmo perdendo.
O risco real está adiante: se o STF resolver avançar demais contra Zema, a vítima vira verdadeira — e aí cresce exponencialmente. Mas, enquanto isso não acontece, ele surfa na imagem de quem desafia.
No final, os números não mentem
Os números de Lula não são misteriosos. Ele ainda consegue estar na liderança porque a direita não consegue se unir, muito menos ter um projeto de país, de desenvolvimento nacional, prefere o discurso da desigualdade e beneficiando, obviamente, a poucos, sempre atendendo aos interesses dos EUA e dos seus bilionários.
O tarifaço
O tarifaço com Trump mostrou qual é seu melhor material — confrontação com potência, vitória tática. Bolsonaro prometeu unir e deixou cacos. E Zema? Segue transformando cada derrota institucional em narrativa de resistência e de vitimismo, daquele que gosta de comer banana com casca na internet.
Faltam cinco meses. Tudo pode mudar, mas, por enquanto, a conta é simples, o resto é torcida.