Direto da Redação: Fabio incluiu Rafael no “complexo de vira-latas?”
Ou seria o IBGE o responsável por essa ideia de espírito de pobreza e inferioridade?
Aceitando a esmola
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Fabio Novo termina agredindo o governador Rafael com a expressão “complexo de vira-lata”, que aceitou uma esmola de um artista que certamente só viu miséria no Estado onde veio atuar. Generoso, Alok diz que renunciou ao cachê de R$ 800 mil e ainda tirou R$ 200 mil de suas contas. Doou R$ 1 milhão para o governo do Estado.
Deve ser desesperante para quem chega aqui e só destaca miséria. E muito vergonhoso para o chefe do governo e seus asseclas, que pouco se importam com a situação vexaminosa por que passa o Estado.
A mídia escancarou
“Alok doa R$ 1 milhão para o Piauí”.
Parabéns para o DJ.
Que vergonha, governador Rafael!
Vira-latice? Quem e quantos?
Diz, em postagem no X, o donatário da Secretaria de Cultura do Piauí, Fabio Novo (prefeito de Teresina, segundo pesquisas falsas), que quem acionou a Justiça contra o uso de dinheiro público no show do DJ Alok são pessoas com complexo de vira-latas, que “durante 200 anos incutiram em nós o espírito de pobreza e inferioridade”.
O IBGE pode responder
Fábio Novo deve estar falando do IBGE, que em 20 de fevereiro deste ano informou que o Piauí encerrou 2025 com uma taxa anual de desocupação de 9,3%, a maior do país.
Certamente é do IBGE que fala Fabio Novo, porque o órgão do governo federal também registrou que, em 2024, o Piauí teve a segunda maior taxa de analfabetismo do país: 13,8%, de acordo com a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua.
O IBGE e o espírito de pobreza
Será que o IBGE incutiu na cabeça dos piauienses o espírito de pobreza e de inferioridade ao registrar que o Piauí tem a quarta menor média salarial do país (R$ 2.200), atrás de Bahia (R$ 2.140), Ceará (R$ 2.053) e Maranhão (R$ 2.051)?
Renda concentrada
Ou seria o IBGE o responsável por essa ideia de espírito de pobreza e inferioridade ao medir a concentração da renda pelo coeficiente de Gini e indicar que o Piauí tem a segunda maior distância entre ricos e pobres no país?
Deve ser, só pode.
Mas, espera aí… que que sou? Que que eu sou?
Enquanto Fabio Novo classifica os outros segundo o complexo de vira-latas, busca-se em raças mais afortunadas em qual ele, Novo, se enquadraria ou se assemelharia: Mastim Tibetano (R$ 1 milhão), American Bully, Terra Nova?
Fabio Novo adora produzir cifras milionárias. Por exemplo, transforma a Secretaria de Cultura em órgão executor de calçamento, de estradas, onde fatura muito mais.
Daí se imaginar que ele não se enquadre entre os demais, pois é diferente.
Olha ela tirando casquinha
Mais ridículo é a ex-vereadora Jessy Lima agradecendo ao DJ pela esmola que o Estado recebeu.
Claro que, fazendo o contraponto, ela quer zoar com Rafael, pois sabe que essa merreca doada não vai chegar a lugar algum.
Números (também ridículos) no ar
O Governo do Estado divulgou que o show de Alok teria movimentado R$ 50 milhões na economia de Teresina. O dado, no entanto, foi apresentado sem fonte, sem memória de cálculo e sem indicação de estudo técnico que o sustente.
Igualzinho à velha comunicação.
Sem metodologia, sem impacto econômico
Não há detalhamento de variáveis básicas de mensuração de impacto econômico, como ticket médio, origem do público, tempo de permanência, taxa de ocupação hoteleira ou multiplicadores utilizados.
Sem isso, Rafael, a cifra carece de consistência.
Estimativa de público
A projeção de 150 mil pessoas também não veio acompanhada de critério de aferição. Em eventos abertos, sem controle de acesso, estimativas sem base técnica tendem a ser infladas. Ali, calcula-se, não havia 30 mil pessoas.
Externalidades não medidas
Não foram apresentados dados sobre custos públicos diretos e indiretos do evento, o que impede qualquer análise de custo-benefício ou retorno líquido para o Estado.
E o gênio da matemática lá está preocupado com isso?
Doação sem lastro operacional
O anúncio de R$ 1 milhão para saúde e turismo não teve detalhamento sobre fonte, mecanismo de transferência, cronograma ou programas beneficiados.
O que ficou mesmo foi a vergonha alheia: o governador comemorar a doação de uma bagatela de um particular para a gestão cuidar da saúde.
“Fica vermelha, cara sem vergonha”, diria o jornalista Arimateia Azevedo, antes de ter sido naquela chicana.
Peça promocional
Sem transparência metodológica, os números divulgados pelo governo se aproximam mais de material de promoção institucional do que de indicadores econômicos auditáveis.
Não passa de “papo velho magro”, como dizem no interior.
Um espectador proibido de aparecer
Rafael era o mais interessado na realização do show de Alok. Como se viu no seu encontro com o DJ, no ensaio, “pintou uma química” entre os dois, a ponto de Alok amolecer o coração e doar o seu cachê.
E Rafael foi ao show, mas todos eram proibidos de chamá-lo pelos microfones para que o governador não fosse vaiado.
E olhe que tudo isso foi pelo voto.
Constatação pós-Alok
A política virou um circo. A verdade morreu. O que importa agora não são políticas públicas e ações que visem o bem comum, mas sim quem consegue emplacar uma encenação que engane mais gente.
Que futuro pode ter esse Estado, esse País?
Até tu, Joselito?
Correm boatos de que foi preciso Joselito Aquino se mover para o governo conseguir a liberação do show do Alok.
Por isso, durante a tarde de sábado, era grande o movimento no Chão e Brasa, no Teresina Shopping: gente pedindo ingresso para os camarotes, open bar, enfim, áreas VIPs.