O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou na noite de sábado (31) que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) pode permanecer no país pelo tempo que desejar. A declaração foi dada a jornalistas durante uma festa de Halloween em Mar-a-Lago, na Flórida. Derrotado por Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na eleição presidencial, Flávio chegou aos EUA na quarta-feira (28), após deixar o Brasil apesar das restrições determinadas pela Justiça.
Questionado sobre um possível encontro com o senador, Trump respondeu que não havia reunião prevista e afirmou considerar que o brasileiro havia sido tratado injustamente. “Ele pode ficar aqui pelo tempo que quiser”, declarou. Na sequência, um repórter perguntou se os dois haviam conversado. O presidente não respondeu diretamente e repetiu a manifestação de apoio à permanência de Flávio, além de voltar a desqualificar a eleição brasileira, sem apresentar evidências de irregularidades.
A fala de Trump não detalhou uma mudança na autorização migratória do senador. Segundo documentos da agência americana de controle de fronteiras, a CBP, consultados e publicados pela CNN Brasil, Flávio recebeu uma permissão temporária com vencimento previsto para outubro de 2027. A modalidade, chamada discretionary parole, permite a entrada e a permanência por um período determinado e não equivale à concessão de residência permanente.
Horas antes, o secretário de Estado americano, Marco Rubio, havia negado participação direta do governo nos preparativos da viagem. Segundo ele, Trump decidiu permitir a entrada do senador, mas a administração não organizou sua saída do Brasil. Rubio também afirmou que o presidente havia autorizado a concessão de uma permissão temporária caso Flávio se apresentasse ao controle migratório dos Estados Unidos.
No Brasil, a Polícia Federal investiga o descumprimento das ordens judiciais relacionadas à viagem. Em nota de 28 de outubro, a corporação informou que havia solicitado ao Supremo Tribunal Federal a apreensão de passaportes e a proibição de saída do país, após identificar risco de que o senador deixasse o território brasileiro. Os documentos comum e diplomático foram cancelados, e um alerta foi inserido no sistema de controle migratório.
Ainda segundo a PF, Flávio foi intimado na manhã de 26 de outubro a entregar eventuais passaportes de outras nacionalidades em até 24 horas, mas não cumpriu a determinação. A polícia afirmou não haver registro oficial de sua saída pelos postos brasileiros de fiscalização e esclareceu que restrições a documentos de viagem, isoladamente, não caracterizam a condição de foragido nem autorizam uma prisão. Flávio sustenta que sofre perseguição política e nega irregularidades nas investigações que o envolvem.