Uma pesquisa da Universidade Federal do Piauí (UFPI) testou uma armadilha de baixo custo para capturar insetos que incluem espécies transmissoras do calazar, como é conhecida a leishmaniose visceral. O estudo foi realizado nas localidades Cacimba Velha e Terra Nossa, em Teresina, e identificou o predomínio da espécie Lutzomyia longipalpis, principal transmissora da doença no Brasil.
Ao todo, foram capturados 1.351 flebotomíneos, popularmente conhecidos como mosquitos-palha. Desse total, 1.243 estavam na Cacimba Velha, área de ocupação mais antiga, e 108 na Terra Nossa, de ocupação mais recente.
A pesquisa foi desenvolvida pela mestra Karynne Araújo Costa, com orientação da professora Maria Regiane Araújo Soares, no Programa de Pós-Graduação em Biodiversidade e Conservação. Segundo a pesquisadora, os resultados indicam que as características ambientais e o histórico de ocupação influenciam a presença e a quantidade desses insetos.
As coletas ocorreram entre agosto e dezembro de 2025, dentro das casas e em seus arredores. Foram utilizadas armadilhas luminosas dos tipos CDC, HP e JD2R, instaladas por períodos de 12 horas. Além da identificação dos insetos, o trabalho registrou temperatura, umidade e velocidade do vento para avaliar as condições ambientais durante as capturas.
Construída com materiais simples, a JD2R foi comparada aos outros dois modelos, já utilizados em pesquisas. A proposta é oferecer uma alternativa mais acessível ao monitoramento dos vetores. A orientadora ressalta, porém, que o protótipo ainda precisa de melhorias.
A presença da espécie transmissora não significa, por si só, que os insetos capturados estejam infectados. O calazar é transmitido pela picada de fêmeas que carregam o parasito Leishmania. Segundo o Ministério da Saúde, a doença pode provocar febre prolongada, perda de peso, fraqueza, anemia e aumento do fígado e do baço. O tratamento é gratuito pelo SUS, e o diagnóstico precoce ajuda a evitar complicações.
Entre as medidas de prevenção recomendadas pelo ministério estão a limpeza periódica dos quintais, a retirada de folhas, frutos e fezes de animais e o descarte adequado do lixo orgânico. Esses cuidados reduzem a matéria orgânica em decomposição e as condições favoráveis ao desenvolvimento do inseto. Os abrigos de animais domésticos também devem ser mantidos limpos.