Governo discute reajuste menor do INSS, mas não prevê fim do aumento

Reportagem citada por ex-ministro fala em ganho acima da inflação, porém em ritmo menor

O governo federal avalia cenários para um eventual novo mandato de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) que poderiam estabelecer ritmos diferentes de valorização para o salário mínimo e os benefícios do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). A discussão, porém, não prevê o fim dos reajustes para aposentados e pensionistas, como afirmou o ex-ministro Adolfo Sachsida em publicação nas redes sociais.

Foto: INSS
Governo nega que benefícios do INSS deixarão de ser reajustados.

Sachsida, que foi ministro de Minas e Energia no governo Jair Bolsonaro e atualmente coordena a equipe econômica da campanha de Flávio Bolsonaro (PL), citou uma reportagem do Valor Econômico para sustentar que aposentados deixariam de receber aumento quando o salário mínimo fosse reajustado.

A reportagem, no entanto, informa que técnicos fizeram simulações para manter ganhos acima da inflação tanto para trabalhadores da ativa quanto para aposentados e pensionistas, mas em velocidades diferentes. Nenhuma decisão havia sido tomada.

Segundo o material, integrantes da equipe econômica seriam favoráveis à discussão de uma regra que preserve a valorização real do salário mínimo para trabalhadores, enquanto benefícios previdenciários e assistenciais vinculados ao piso poderiam ter um reajuste menor que o dos trabalhadores ativos. Ainda assim, o aumento permaneceria acima da inflação.

Governo nega desvinculação

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, negou que esteja em discussão uma desvinculação entre o salário mínimo e os benefícios previdenciários e sociais.

“Não discutimos e não está colocada a desvinculação do salário mínimo dos benefícios, tanto previdenciários quanto alguns sociais”, afirmou em entrevista à GloboNews.

Com isso, as regras atualmente vigentes para a valorização do salário mínimo e os reajustes de aposentadorias e pensões permanecem mantidas.

O conteúdo publicado por Sachsida também mencionou que o governo Lula teria destinado mais de R$ 278 bilhões com o objetivo de favorecer uma eventual reeleição. A publicação, porém, não especificou a fonte.

Segundo levantamento do Estadão citado na checagem, o governo federal havia desembolsado R$ 277,3 bilhões em 2026. A maior parte dos recursos, de acordo com o levantamento, estava relacionada a programas de crédito e subsídios para setores da economia.

Vídeo ganhou repercussão nas redes

O vídeo de Sachsida foi publicado no mesmo dia da reportagem do Valor Econômico e, até a conclusão da checagem, acumulava cerca de 350 mil visualizações no Instagram.

O Comprova informou ter procurado o ex-ministro para obter esclarecimentos, mas não recebeu resposta até a publicação da verificação.

A checagem concluiu que a publicação retirou do contexto a discussão apresentada pelo Valor Econômico ao transformar uma possibilidade de reajustes em ritmos diferentes em uma suposta decisão de acabar com os aumentos dos aposentados.

O conteúdo também associou a alegação às dificuldades financeiras enfrentadas por aposentados, incluindo gastos com medicamentos, recurso que, segundo o Comprova, contribuiu para dar tom alarmista à mensagem.

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