Master pagou R$ 27,5 milhões a escritório de Marcus Vinícius
Dados foram enviados à CPI; advogado foi procurador-geral do Piauí e aluno da UFPI
O Banco Master pagou R$ 27,5 milhões, em 2025, a duas unidades do escritório comandado pelo advogado Marcus Vinicius Furtado Coêlho, ex-presidente nacional da Ordem dos Advogados do Brasil. Os valores constam de documentos fiscais encaminhados pela Receita Federal à CPI do Crime Organizado, no Senado.
Segundo levantamento da Folha de S.Paulo, R$ 17,5 milhões foram destinados a uma unidade da banca aberta em Belo Horizonte em janeiro de 2025. Outros R$ 10 milhões foram pagos à unidade de Brasília, registrada desde 2012.
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Os dados fiscais registram a transferência dos recursos, mas não informam detalhadamente quais serviços foram prestados. O pagamento de honorários a um escritório de advocacia, por si só, não representa irregularidade nem comprova participação dos profissionais nas suspeitas investigadas no caso Master.
Em manifestação anterior à Folha, o escritório afirmou que possui outras unidades e atua para centenas de empresas no país, entre elas dezenas de clientes de Minas Gerais. A banca, porém, não detalhou nessa resposta o trabalho realizado especificamente para o Banco Master. Em abril, a CNN Brasil informou ter procurado Marcus Vinicius, mas não havia recebido posicionamento até a publicação da reportagem.
Embora tenha nascido no Maranhão, Marcus Vinicius construiu parte da trajetória profissional no Piauí. Ele se formou em Direito pela Universidade Federal do Piauí e ocupou o cargo de procurador-geral do Estado entre 2001 e 2002. O advogado presidiu o Conselho Federal da OAB entre 2013 e 2016 e atualmente comanda a Comissão Nacional de Estudos Constitucionais da entidade, conforme informações do próprio escritório.
Levantamentos jornalísticos feitos a partir dos documentos enviados à CPI apresentam resultados diferentes por adotarem períodos e critérios distintos. O R7 identificou ao menos R$ 501,4 milhões pagos a 79 escritórios entre 2021 e 2024. Já a Folha contabilizou R$ 543 milhões destinados a 91 bancas entre 2022 e 2025.
O Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do Master em novembro de 2025. Segundo a autoridade monetária, a medida foi motivada por uma grave crise de liquidez, pelo comprometimento da situação econômico-financeira do conglomerado e por violações às normas do Sistema Financeiro Nacional. O caso também é alvo de investigações da Polícia Federal.
Esperamos a versão do advogado.
Fonte: Portal AZ