Crise e redes sociais reduzem espaço para propostas nas eleições, diz Fenaj
Samira de Castro critica superficialidade das campanhas e pede debate sobre temas centrais
A presidenta da Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), Samira de Castro, avalia que a combinação entre a crise político-institucional e a busca por audiência nas redes sociais tem prejudicado o debate de propostas nas eleições de 2026. Em entrevista à Agência Brasil, ela afirmou que problemas estruturais do país estão perdendo espaço diante da cobertura de crises e de uma comunicação eleitoral cada vez mais voltada ao conteúdo rápido e ao engajamento. Para Samira, esse cenário contribui para o esvaziamento do debate sobre os programas de governo e as demandas da sociedade.
Segundo a dirigente, a chamada “tiktokização” das campanhas representa uma transformação na forma como candidatos buscam se comunicar com o eleitorado. Samira criticou a predominância de conteúdos superficiais nos perfis políticos e afirmou que poucos candidatos estão se dedicando a discutir de maneira aprofundada os principais problemas brasileiros. Na avaliação dela, a imprensa também enfrenta o desafio de não reproduzir apenas conteúdos que geram audiência imediata, mas ampliar a cobertura para temas de interesse público e de longo prazo.
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A crise institucional, que envolve denúncias relacionadas ao caso Master e outros órgãos, também é apontada pela presidenta da Fenaj como um fator que ocupa grande parte do noticiário. Samira defende que a imprensa continue acompanhando os acontecimentos, mas mantenha uma segunda agenda dedicada às propostas dos candidatos e aos problemas estruturais do país. Para ela, o jornalismo precisa ir além do modelo declaratório, baseado apenas em “quem disse o quê”, e buscar fontes plurais, informações confiáveis e a participação da população afetada pelas decisões políticas.
Entre os assuntos que deveriam receber maior atenção durante a campanha, Samira cita as mudanças climáticas, a exploração das terras raras brasileiras e a atração de data centers para o país. Ela considera que esses temas fazem parte dos desafios econômicos, sociais e geopolíticos que precisam ser discutidos pelos candidatos. A avaliação da Fenaj ocorre a poucas semanas do primeiro turno, marcado para 4 de outubro, e reforça a cobrança por uma cobertura eleitoral que combine o acompanhamento das crises atuais com espaço para propostas capazes de orientar o debate sobre o futuro do Brasil.
Fonte: Agência Brasil