Lula tem vantagens na eleição, mas economia pode decidir o voto

Programas sociais e economia podem favorecer Lula em 2026

Por Márcio Felipe Rocha | Jornalista | Portal AZ,

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) chega à eleição de 2026 com algumas vantagens políticas que podem ser exploradas na campanha, principalmente na comparação com o governo Jair Bolsonaro (PL). Programas sociais retomados ou ampliados, melhora de indicadores de pobreza e políticas de acesso a medicamentos oferecem ao governo argumentos concretos para disputar o voto de setores de menor renda.

Foto: ReproduçãoPresidente Lula chega à disputa de 2026 com programas sociais ampliados e vantagem na comparação com Flávio Bolsonaro.
Presidente Lula chega à disputa de 2026 com programas sociais ampliados e vantagem na comparação com Flávio Bolsonaro.

Um dos exemplos está na saúde. O Programa Farmácia Popular sofreu uma redução significativa de recursos no período final do governo Bolsonaro. Na proposta orçamentária para 2023, enviada ainda naquela administração, os recursos previstos para o programa foram reduzidos em 59%, segundo levantamento divulgado à época.

A situação mudou a partir de 2023. O governo Lula recompôs o programa e ampliou progressivamente a oferta de medicamentos gratuitos. Em 2024, 95% dos medicamentos e insumos oferecidos pelo Farmácia Popular já eram gratuitos. Em fevereiro de 2025, o Ministério da Saúde anunciou a gratuidade de 100% do elenco do programa.

O alcance também aumentou. Dados do governo federal indicam que o Farmácia Popular atendeu 24,76 milhões de pessoas em 2024. O programa passou a incluir também a distribuição gratuita de absorventes pelo Programa Dignidade Menstrual.

Uma comparação que  chega ao eleitor

O Farmácia Popular é eleitoralmente relevante porque transforma uma política pública em uma experiência direta. Para quem depende de medicamentos para hipertensão, diabetes, asma ou outras doenças, a diferença entre pagar e receber o produto gratuitamente pode ser mais perceptível do que indicadores macroeconômicos apresentados em discursos.

A mesma lógica pode ser aplicada ao salário mínimo, ao Bolsa Família, à Previdência, ao acesso à educação e ao mercado de trabalho. São áreas nas quais o governo pode apresentar números e estabelecer uma comparação com a administração anterior.

A comparação, porém, não será suficiente se o eleitor não perceber melhora em sua própria condição econômica.

Pobreza caiu

Os números do IBGE mostram uma redução importante da pobreza. Entre 2022 e 2023, cerca de 3,1 milhões de brasileiros saíram da extrema pobreza. O país registrou, em 2023, o menor nível de pobreza desde 2012, segundo a Síntese de Indicadores Sociais.

O resultado fortalece o discurso do governo, mas não elimina os problemas econômicos. Preço dos alimentos, custo da moradia, juros e percepção sobre renda continuam influenciando o comportamento do eleitor.

É justamente nesse ponto que a oposição terá espaço. A campanha deverá tentar mostrar que indicadores positivos não significam necessariamente melhora proporcional para todas as famílias.

Bolsonaro deixou pontos vulneráveis

A comparação também pode ser feita em relação às áreas nas quais o governo Bolsonaro enfrentou críticas. A condução da pandemia de Covid-19, a política ambiental, os conflitos com instituições e a redução de recursos para determinados programas sociais podem voltar ao debate eleitoral.

Na área ambiental, os dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) mostram uma redução do desmatamento na Amazônia nos primeiros anos do governo Lula. No período de agosto de 2023 a julho de 2024, o sistema Prodes estimou 6.288 km² de área desmatada.

A diferença permite ao governo Lula apresentar uma mudança de orientação em relação à política ambiental. Para a campanha, porém, será necessário transformar esses números em uma mensagem compreensível para o eleitor.

A vantagem precisa virar voto

Segundo o jornalista especializado em marketing político Márcio Felipe Rocha, do Portal AZ, Lula possui uma vantagem importante por poder apresentar políticas públicas com efeitos concretos e, ao mesmo tempo, estabelecer uma comparação com o governo anterior.

“Eleição também se decide pelo que o eleitor sente no próprio bolso. Salário mínimo, aposentadoria, preço dos remédios, emprego e acesso à educação podem pesar mais na escolha do voto do que discursos ideológicos”, afirma.

Na avaliação de Márcio Felipe, o desafio do governo será transformar resultados administrativos em percepção eleitoral. Um programa pode apresentar números expressivos de atendimento, mas isso não significa automaticamente que o beneficiário atribuirá o resultado ao presidente ou decidirá votar nele.

O problema do custo de vida

A principal vulnerabilidade de Lula está na distância que pode existir entre indicadores oficiais e percepção cotidiana. O governo pode apresentar crescimento de renda, redução da pobreza e ampliação de programas sociais, enquanto o eleitor continua enfrentando preços elevados de alimentos, aluguel e outros gastos.

Esse descompasso será explorado pela oposição.

A eleição de 2026 tende a colocar duas avaliações em confronto. De um lado, Lula poderá apresentar a retomada de políticas públicas, a ampliação do Farmácia Popular, a redução da pobreza e outros indicadores favoráveis. De outro, seus adversários deverão concentrar a discussão no custo de vida, segurança, impostos e problemas ainda sem solução.

A memória do governo Bolsonaro também será disputada. Lula terá interesse em lembrar dificuldades e decisões controversas da administração anterior. A oposição tentará deslocar a comparação para o desempenho do atual governo.

No fim, a vantagem política só terá valor eleitoral se for percebida pelo cidadão. O eleitor poderá reconhecer avanços em determinadas áreas, mas a decisão nas urnas dependerá também de uma avaliação mais simples: a vida melhorou?

É nessa percepção, mais do que nos discursos de campanha, que Lula terá de sustentar sua tentativa de permanecer no Palácio do Planalto.

Foto: ReproduçãoMárcio Felipe Rocha: Jornalista especializado em marketing político, do Portal AZ, analisa as vantagens de Lula na eleição de 2026.
Márcio Felipe Rocha: Jornalista especializado em marketing político, do Portal AZ, analisa as vantagens de Lula na eleição de 2026.

Fonte: Portal AZ

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