Ranking aponta falhas de segurança e governança nas principais empresas de IA

Indicador global mostra que nenhuma desenvolvedora alcançou nota acima de C em avaliação

O avanço acelerado da inteligência artificial ainda não foi acompanhado por mecanismos robustos de segurança e governança, segundo o AI Safety Index – Verão 2026, divulgado pelo Future of Life Institute (FLI). O levantamento avaliou nove das principais desenvolvedoras de IA do mundo e concluiu que nenhuma delas alcançou nota superior a C em uma escala que vai de F a A, evidenciando fragilidades na proteção de dados, na gestão de riscos e na transparência das empresas. 

Foto: Valdo Virgo
ECO-Segurança IA

A Anthropic liderou o ranking com nota C e pontuação de 2,66, destacando-se pela transparência técnica e pela estrutura de governança. Em seguida aparecem OpenAI e Google DeepMind, também com nota C, enquanto Meta ocupa a quarta posição após ampliar a divulgação de seus mecanismos de avaliação de ameaças. Na outra ponta da lista estão xAI, DeepSeek e Mistral, que receberam nota F, além das chinesas Z.ai e Alibaba Cloud, classificadas com D-. O estudo analisou 37 indicadores distribuídos em seis áreas consideradas essenciais para o desenvolvimento seguro da tecnologia. 

O relatório também alerta para a velocidade com que as capacidades dos sistemas de IA evoluem em comparação ao desenvolvimento de normas técnicas e regulatórias. Segundo os pesquisadores, empresas que anteriormente afirmavam poder interromper projetos diante de riscos elevados passaram a flexibilizar esse compromisso, impulsionadas pela competição no setor. O índice cita ainda episódios envolvendo processos judiciais, falhas de segurança e uso inadequado de sistemas de IA como exemplos de riscos já observados na prática. 

No Brasil, a preocupação com a proteção de dados também cresce. Dados do Google Trends mostram aumento de 180% nas buscas por "segurança de dados" entre 2021 e 2026, enquanto pesquisas por "vazamento de dados" cresceram 400% no mesmo período. Especialistas ouvidos pelo Correio Braziliense afirmam que o cenário demonstra a necessidade de ampliar investimentos em governança, auditoria e mecanismos de controle para garantir que o desenvolvimento da inteligência artificial ocorra de forma mais segura e responsável. 

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