Basta! Exigimos Viver: artista expõe casos de feminicídio no Museu do Piauí
A exposição iniciou em 08 de março e segue até dia 31
A artista piauiense Lu Rebordosa participa da programação da 1ª Semana da Mulher, realizada no Museu do Piauí, na Praça da Bandeira, com a exposição “Basta! Exigimos Viver”. A mostra, segundo a artista, se trata de um manifesto político que chama a atenção para o feminicídio e violência contra as mulheres no Piauí.
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A mostra é um manifesto político, diz a artista( Foto:divulgação)
A exposição iniciou dia 08 de março e segue até dia 31 ainda desse mês e destaca fotos e informações sobre assassinatos de mulheres. “Na verdade não considero uma exposição, mas sim um manifesto político. Como não falar [de Feminicídio] diante da realidade de um país que somente em 2019 já registrou 200 casos e desses , segundo minha pesquisa, oito no Piauí. No país que mais mata mulheres, trans e travestis temos que dizer Basta! Exigimos Viver!” , ressalta a artista Lu Rebordosa.
A exposição iniciou dia 08 de março e segue até dia 31 ( Foto: Francisco Leal/CCOM)
Lu Rebordosa ainda ressalta que a exposição traz um sentimento diferente para cada pessoa. “Tem que ir ver e sentir. Cada pessoa sente algo diferente”, destaca.
Manifesto político chama a atenção para o feminicídio e violência contra as mulheres no Piauí( Foto: Francisco Leal/CCOM)
A intervenção é um desdobramento de um ato realizado por um grupo de mulheres que entregou uma carta ao governador Wellington Dias reivindicando mais ações de combate ao feminicídio e à violência contra a mulher.
“É um trabalho doloroso, pois a ideia é chamar a atenção e refletir sobre o 8 de março. O que precisamos nesse dia e em todos os outros é falar da história como ela é, e não deixar que as vítimas de feminicidio sejam esquecidas. Se trata da luta pela igualdade e, para isso, precisamos combater e modificar a cultura machista e misógina que ainda prevalece no país. Exigimos o nosso direito de viver com dignidade e respeito”, esclarece a artista Lu Rebordosa.
Quadro para homenagem às vítimas( Foto: Francisco Leal/CCOM)
Atualmente, ela faz pinturas em telas e aquarelas e trabalha com graffitis e pinturas murais (steettart). “Além desses tipos de trabalho, faço posyers lambes e intervenções urbanas com linguagens hibridas. Minha arte é antes de tudo uma resistência feminista e política”, declara a artista.
No espaço há um local com um quadro negro para que os visitantes prestem homenagens às mulheres vítimas e ainda uma sonoplastia.
Visita ao manifesto político
A vice-governadora Regina Sousa visitou, nesta segunda-feira (11), a exposição “Basta! Exigimos Viver”, da artista Lu Rebordosa.
Para Regina Sousa, a exposição desperta as pessoas para a realidade cruel do feminicídio. “É uma divulgação forte, que assusta, mas que é necessária para que possamos abrir os olhos. A violência contra a mulher está avassaladora e ações de combate são cada vez mais importantes para que possamos mudar esse quadro devastador. O Piauí tem realizado diversas ações e criado ferramentas, tais como o aplicativo Salve Maria, que ajudam a combater os casos de feminicídio”, disse Regina Sousa.
Vice-governadora visita a exposição( Foto: Francisco Leal/ CCOM)
Ainda segundo a governadora, o processo educativo é o ponto chave para que o quadro de feminicídio mude consideravelmente. “Se a criança recebe orientações na escola e se conscientiza desde cedo sobre o absurdo que é agredir uma mulher, provavelmente ela não se tornará um adulto violento. Portanto, o projeto Maria da Penha nas escolas é uma importante ferramenta de conscientização escolar e precisa ser mantido”, destaca Regina.
Processos de feminicídio crescem 250%
Segundo dados divulgados nesta sexta-feira (08), pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ), o número de processos envolvendo feminicídio entre os anos de 2016 e 2018, que chegam ao Tribunal de Justiça do Piauí cresceu em 250%.
O conselho Nacional de Justiça divulgou que em 2016, o Tribunal de Justiça do Piauí (TJ-PI), registrou 18 processos de assassinatos de mulheres por homens em razão das relações de gênero. No ano seguinte, o número subiu para 46 e em 2018 chegou a 63.
Já em relação os processos sobre violência doméstica, o Piauí aumentou o número de registros de casos. Em 2016 foram 10.654, em 2017, 13.271, no ano seguinte 14.491, resultando em uma alta de 36% em dois anos.
O CNJ divulgou ainda que o número de medidas protetivas no Tribunal de Justiça do Piauí, que subiu 89%, passando de 1.855 em 2016 para 2.691 em 2017 e para 3.502 em 2018.