Artilheira do Iranduba, Júlia Beatriz projeta: “ser artilheira da competição é um sonho possível”

Atleta disputando o Campeonato Brasileiro Sub-18 com o time amazonense e já soma oito gols

Por Jade Araujo,

Com mais de 3 mil Km de distância de casa, Julia Beatriz viver um momento especial na carreira. Sentindo o mesmo calor da sua terra natal, a atleta está há mais de um mês vestindo a camisa do Iranduba, clube amazonense com tradição no futebol feminino, e é a atual artilheira da equipe no Brasileiro Sub-18 com oito gols marcados. 

Mas antes de balançar as redes, a atleta viveu um processo de adaptação que, segundo ela, foi natural. 

“É minha primeira vez fora de casa e está sendo uma experiência incrível, ainda mais no Iranduba, um time que tem muita história. Em relação à adaptação não mudou muita coisa. Aqui em Manaus é o mesmo calor, acho que estou bem acostumada em relação a isso (risos). A estrutura aqui é muito bonita. Eles dão muito suporte”


Júlia Beatriz (Foto: arquivo pessoal)

Este ano, a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) deu inicio a primeira competição de base nacional do futebol feminino, o Brasileiro Sub-18. O Iranduba caiu no grupo F com Vasco-RJ, Paysandu-PA e Pinheirense-PA. 

Após seis jogos, o time amazonense ficou com a segunda colocação do grupo com 13 pontos, atrás apenas do Vasco. Com experiência em competições nacionais, Julia destacou o bom nível apresentado pelos clubes dentro do seu grupo, mas destacou a falta de estrutura como ponto ainda gritante em muitos. 

“No nosso grupo o nível está muito bom. Muitas meninas com um futuro incrível, mas ainda falta estrutura. Deu para perceber isso em alguns jogos. Mas uma competição desse nível vai ajudar muitas meninas a terem um futuro”

Por muitas atletas do futebol nacional, a primeira competição de base foi alvo de criticas. Isso porque, os jogos da primeira fase aconteceram com diferenças de um dia cada - em dez dias, o Iranduba fez seis jogos. A atacante piauiense pontou o desgaste como uma das maiores barreiras enfrentadas dentro da competição. 

“Não só eu como todo o time no quarto, quinto jogo já estávamos bem desgastadas. Acho que foi muito puxado. Poderíamos ter tido mais dias de descanso. Fomos muito na garra. Claro que o futebol feminino está evoluindo, mas como outras meninas já disseram isso foi um ponto que eles não pensaram a respeito. Põe jogo de manhã e também a cada um dia. Um dia sim e um dia não. Foi bem desgastante para todo mundo e nisso eles (CBF) pecaram um pouco”

Artilharia

Os dribles que levaram Julia a Iranduba estão destacando a atleta dentro das quatro linhas. Com oito gols na competição nacional, a atacante é a artilheira do clube amazonense na competição. Mas para ela, as possibilidades são maiores. Até aqui, Julia está a dois gols da artilharia da competição – que está sendo dividida entre Gabrielly do Vasco e Amanda do Santos, ambas com dez gols. 

“Fico feliz. Isso é consequência de todo trabalho que vem sendo feito. Fico feliz de estar indo tão bem com esse grupo, que está bastante unido. Estamos muito confiantes e é bom ter ajudado a equipe com gols. Ser artilheira da competição é um sonho bem possível”

Situação do Iranduba

Segundo o regulamento divulgado pela CBF, passam a segunda fase da competição os seis primeiros colocados mais dois melhores segundos. Até aqui, apenas o grupo D e o F, grupo do Iranduba, fecharam a primeira fase com os seis jogos. As partidas dos outros grupos acontecem na quarta (24) onde serão definidos os classificados. 


Iranduba (Foto: divulgação / Iranduba)

Até o momento, apenas Santos (A), São Paulo (C), Fluminense (D) e Vasco (F) estão garantidos na segunda fase. Com quatro vitórias, um empate e uma derrota na primeira fase, o Iranduba está classificado entre os dois melhores colocados. 

Os únicos clubes que ainda podem alcançar o time amazonense são Flamengo e Vitória – grupo E – que somam dez pontos cada e brigam na última rodada pelo primeiro lugar do grupo.

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