Brasil e EUA avançam em diálogo comercial após encontro entre Lula e Trump

A reunião entre Mauro Vieira e autoridades norte-americanas abre cronograma técnico para revisar tarifas e destravar acordos bilaterais

Por Carlos Sousa,

Na manhã desta segunda-feira (27), o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, reuniu-se com representantes do governo dos Estados Unidos para detalhar os próximos passos na retomada de um diálogo direto sobre tarifas, comércio e possíveis acordos bilaterais. O encontro ocorre um dia após a conversa entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o ex-presidente norte-americano Donald Trump, realizada à margem da visita do petista à Malásia, que abriu caminho para uma nova rodada de negociações comerciais entre as duas nações.
 

Foto: Ricardo Stuckert/DivulgaçãoDonald Trump e Luiz Inácio Lula da Silva
Donald Trump e Luiz Inácio Lula da Silva

Participaram da agenda oficial o secretário-executivo do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic), Márcio Rosa, e o assessor especial da Presidência, embaixador Audo Faleiro. Do lado norte-americano, estiveram presentes o representante de comércio dos EUA e o secretário do Tesouro. Segundo Márcio, ambas as partes concordaram em estruturar um acordo “satisfatório para ambos os lados”, organizando um cronograma de reuniões entre equipes técnicas. O foco inicial será dado aos setores mais impactados por tarifas e barreiras comerciais.

“Hoje estamos num cenário muito mais positivo do que estávamos há alguns dias”, avaliou o secretário-executivo do Mdic. Ele destacou que a intenção é construir uma agenda “realista e equilibrada”, capaz de apresentar avanços concretos nas próximas rodadas de negociação.

Pauta aberta

Após a reunião de domingo, Lula afirmou que o Brasil não impôs limitações temáticas. O governo brasileiro se disse disposto a discutir qualquer assunto, incluindo minerais críticos, terras raras, etanol e açúcar. Em tom descontraído, o presidente declarou ser “uma metamorfose ambulante” no campo da negociação e disse estar aberto a todas as propostas que forem colocadas na mesa.

Paralelamente às conversas com os Estados Unidos, Lula reforçou a estratégia de manter uma política comercial plural, preservando canais com diversas regiões do mundo. “Não temos preferência. Quero continuar tendo uma belíssima relação com a China, com os Estados Unidos, com a União Europeia”, afirmou.

O presidente também lembrou que, após mais de vinte anos de impasses, o acordo Mercosul–União Europeia tem previsão de conclusão em dezembro. Além disso, prosseguem tratativas com Indonésia, Malásia e a Associação de Nações do Sudeste Asiático (Asean). “O nosso negócio é fazer negócio”, sintetizou.

Próximos passos

Lula relatou ainda que um novo encontro com Trump permanece no horizonte. Segundo o mandatário brasileiro, o republicano manifestou interesse em visitar o Brasil, enquanto Lula disse estar disposto a ir a Washington. Para o chefe do Executivo, há disposição mútua para avançar nas negociações e atingir um “bom acordo” entre as duas maiores democracias do Ocidente.

“Se houver a disposição do presidente Trump, como ele disse que tem, temos toda a intenção de fazer um bom acordo. Não haverá problema para a relação entre Brasil e Estados Unidos”, concluiu o presidente, sinalizando otimismo diante da reaproximação.

As próximas semanas devem definir a agenda técnica, estabelecer prioridades setoriais e medir o espaço político para concessões recíprocas — cenário que pode remodelar a dinâmica comercial entre Brasília e Washington após anos de atritos tarifários.

Fonte: Correio Braziliense

Comente

Pequisar