Pix vira alvo dos EUA em disputa que ameaça comércio brasileiro

Relatório cita supostas vantagens ao sistema brasileiro e pode embasar sanções

Por Redação Portal AZ,

O sistema brasileiro de pagamentos instantâneos Pix tornou-se alvo de críticas do governo dos Estados Unidos em um relatório que acusa o Brasil de favorecer o mecanismo criado pelo Banco Central em detrimento de empresas americanas do setor financeiro. O documento pode servir de base para futuras medidas comerciais contra o país, incluindo tarifas sobre produtos brasileiros.

Foto: PixO que mudou com as regras em vigor
Pix entrou na mira de investigação dos EUA sobre práticas comerciais brasileiras.

O embate entre Brasil e Estados Unidos ganhou um novo capítulo com a inclusão do Pix no centro de uma investigação comercial conduzida pelo governo de Donald Trump. Em relatório divulgado nesta semana, o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) afirma que o modelo regulatório brasileiro concede tratamento preferencial ao sistema de pagamentos instantâneos desenvolvido pelo Banco Central, o que, segundo a avaliação americana, prejudicaria empresas estrangeiras que atuam no mercado de pagamentos eletrônicos.

O documento sustenta que instituições financeiras são obrigadas a disponibilizar o Pix com destaque em seus canais digitais e a oferecer o serviço gratuitamente para pessoas físicas, condições que, na visão do governo americano, criariam vantagens competitivas exclusivas para a plataforma brasileira. Entre as empresas citadas como potencialmente afetadas estão operadoras de cartões de crédito e serviços de pagamento digital dos Estados Unidos.

A investigação faz parte de um processo iniciado em julho de 2025 para apurar supostas práticas comerciais consideradas desleais pelo governo americano. O relatório final recomenda a possibilidade de adoção de medidas corretivas contra o Brasil, incluindo a aplicação de tarifas sobre determinados produtos exportados ao mercado norte-americano.

Especialistas veem a disputa como reflexo da crescente relevância do Pix no sistema financeiro brasileiro. Desde sua criação, a ferramenta ampliou rapidamente sua participação nas transações eletrônicas, reduzindo custos para consumidores e comerciantes e competindo diretamente com meios tradicionais de pagamento operados por empresas privadas.

Para o professor do Instituto de Economia da Unicamp, Pedro Paulo Zahluth Bastos, a ofensiva dos Estados Unidos está relacionada à perda de espaço das grandes companhias americanas de pagamentos em um mercado estratégico. Segundo ele, o sucesso do Pix demonstra a capacidade de uma infraestrutura pública competir com modelos privados baseados na cobrança de tarifas.

O economista também rejeita a interpretação de que haja discriminação contra empresas estrangeiras, argumentando que o sistema brasileiro não impede a atuação de cartões de crédito ou outras plataformas privadas, mas oferece uma alternativa de baixo custo aos usuários.

O governo brasileiro e empresas eventualmente afetadas terão prazo até 15 de julho para apresentar manifestações ao USTR. Após essa etapa, a administração americana poderá decidir pela adoção de medidas comerciais com base nas conclusões da investigação.

Além da concorrência com operadoras de cartões e serviços digitais internacionais, analistas apontam que a expansão do Pix em operações internacionais também passou a despertar atenção no exterior, especialmente por reduzir a dependência de intermediários tradicionais em algumas transações financeiras.

Fonte: Com informações da Agência Brasil

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