Sindicato alerta para risco de cobrança no Pix com mudanças no Banco Central
Entidade afirma que PEC pode fragilizar autonomia do BC e afetar modelo do sistema
O Sindicato Nacional dos Funcionários do Banco Central (Sinal-DF) manifestou preocupação com possíveis impactos da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 65/2023 sobre o funcionamento do Pix. Em nota divulgada nesta terça-feira (2), a entidade afirmou que alterações na estrutura institucional do Banco Central podem comprometer características consideradas fundamentais do sistema de pagamentos instantâneos, como a gratuidade para pessoas físicas e a gestão pública da plataforma.
Segundo o sindicato, o debate ganhou relevância em meio ao aumento das tensões geopolíticas envolvendo o sistema financeiro brasileiro. A entidade cita investigações conduzidas pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), que avalia medidas tarifárias contra produtos brasileiros sob alegações relacionadas ao Pix. Para o Sinal-DF, esse cenário evidencia a importância de preservar a autonomia e a capacidade de gestão do Banco Central diante de pressões externas.
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Na avaliação do sindicato, uma eventual fragilização institucional da autoridade monetária poderia abrir espaço para mudanças no modelo atual do Pix, incluindo a possibilidade de cobrança de tarifas aos usuários ou até a transferência da gestão do sistema para grupos privados. A entidade argumenta que a simples inclusão do Pix na Constituição não garantiria a preservação de características como acessibilidade, gratuidade e administração pública, caso haja alterações na estrutura regulatória do setor.
O Sinal-DF defende que a soberania e a segurança do Pix dependem diretamente de um Banco Central fortalecido e protegido de interferências externas ou interesses privados. Como alternativa às mudanças propostas pela PEC, o sindicato sugere a adoção de mecanismos administrativos e financeiros para fortalecer a instituição, como a criação de taxas de fiscalização destinadas às instituições financeiras supervisionadas pelo órgão. O debate segue em discussão no cenário político e econômico nacional.
Fonte: Correio Braziliense