Enamed reprova 30% dos cursos de Medicina e impõe sanções a faculdades
Mais de 100 graduações tiveram notas insuficientes e sofrerão corte de vagas, suspensão de ingresso e restrições ao Fies
Quase um terço dos cursos de Medicina avaliados no Brasil será punido após obter desempenho insatisfatório no Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed), segundo balanço divulgado nesta segunda-feira (19) pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep).
Ao todo, 107 dos 351 cursos analisados receberam conceitos 1 ou 2 — considerados insuficientes — no Enamed, exame anual que mede a qualidade da formação médica no país. As punições incluem suspensão do ingresso de novos alunos, redução de vagas e bloqueio de acesso a programas federais, como o Fundo de Financiamento Estudantil (Fies).
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Do total de cursos mal avaliados, 24 obtiveram conceito 1, o mais baixo da escala, enquanto outros 83 ficaram com conceito 2. Segundo o Inep, cerca de 89 mil estudantes participaram da avaliação, entre concluintes e alunos de outros períodos. Entre os formandos, apenas 67% alcançaram desempenho considerado proficiente, indicando que aproximadamente 13 mil alunos não demonstraram domínio satisfatório dos conteúdos avaliados.
A análise por tipo de instituição revela disparidades significativas. As piores notas se concentraram em universidades públicas municipais, onde 87,5% dos cursos ficaram nas faixas mais baixas. Instituições privadas com fins lucrativos também apresentaram desempenho fraco, com 58,4% dos cursos nos conceitos 1 e 2. Já entre universidades federais e estaduais, os resultados foram majoritariamente positivos, com mais de 80% dos cursos alcançando conceitos 4 e 5.
As penalidades variam conforme a nota obtida. Cursos com conceito 1 terão suspensão total do ingresso de novos estudantes. Aqueles com conceito 2 sofrerão redução no número de vagas autorizadas. Além disso, as graduações mal avaliadas ficarão impedidas de acessar o Fies e outros programas federais de financiamento e incentivo.
Segundo o ministro da Educação, Camilo Santana, das 107 graduações com notas insuficientes, 99 estarão sujeitas às sanções, já que cursos mantidos por universidades estaduais e municipais não estão sob a gestão direta do MEC. As instituições terão prazo para apresentar defesa administrativa antes da aplicação definitiva das penalidades.
“O objetivo não é punir por punir, mas induzir a melhoria da qualidade do ensino médico no país. Trata-se de um instrumento de monitoramento para corrigir falhas e proteger a população que será atendida por esses profissionais”, afirmou o ministro.
Fonte: Com informações do G1