Brasil avança no Pisa, mas desempenho ainda desafia a educação

País reduziu distância da OCDE, mas perdeu pontos em leitura e matemática desde 2018

Por Redação Portal AZ,

O Brasil está entre os dez países que mais avançaram em proficiência educacional entre 2006 e 2025, segundo análise do Ministério da Educação (MEC) baseada nos 20 últimos ciclos do Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa). Apesar da evolução acumulada, os resultados mais recentes mostram que o país ainda apresenta desempenho inferior à média da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).

Foto: Ed Alves/CB/DA.PressEstudantes durante atividade escolar; avaliação internacional mede desempenho em três áreas.
Estudantes durante atividade escolar; avaliação internacional mede desempenho em três áreas.

O levantamento do MEC coloca o Brasil na 7ª posição entre os países que mais avançaram em leitura e matemática e na 8ª em ciências, considerando uma lista com mais de 50 nações. A análise também aponta redução da distância entre o desempenho brasileiro e a média da OCDE nas três áreas avaliadas.

Em leitura, a diferença caiu de 102 para 58 pontos ao longo de duas décadas. Em matemática, passou de 131 para 92 pontos. Já em ciências, recuou de 113 para 77 pontos.

A evolução histórica, porém, convive com dificuldades recentes. Os dados do Pisa 2025 mostram que o Brasil ainda não recuperou, em leitura e matemática, o patamar registrado em 2018, antes da pandemia de covid-19.

Leitura e matemática ainda abaixo do nível pré-pandemia

Na comparação entre 2018 e 2025, a pontuação brasileira em leitura caiu de 413 para 408 pontos. Em matemática, o recuo foi de 384 para 377 pontos.

Ciências apresentou trajetória diferente. A nota subiu de 404 para 409 pontos, superando o resultado registrado antes da pandemia.

Em relação ao ciclo de 2022, leitura e matemática tiveram queda de dois pontos cada, enquanto ciências avançou seis pontos. De acordo com o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), contudo, essas oscilações não são estatisticamente significativas e permanecem dentro da margem de erro do levantamento.

O Inep afirma que o país conseguiu recuperar e superar o desempenho pré-pandemia em ciências e teve perdas menores que a média da OCDE em leitura e matemática.

Uso de celulares e relação com a escola

O Pisa também avaliou aspectos relacionados ao cotidiano dos estudantes. Em 2025, 16% dos brasileiros disseram considerar a escola uma perda de tempo. O percentual representa uma redução de 6,9 pontos percentuais em relação a 2022 e ficou abaixo da média da OCDE, de 24%.

Outro dado destacado no levantamento é a restrição ao uso de celulares nas escolas. Em 2025, 81% dos estudantes brasileiros estavam matriculados em instituições que adotavam algum tipo de limitação ao uso dos aparelhos.

O índice é superior à média de 49% registrada entre os países da OCDE e mais que dobrou em relação aos 37% observados no Brasil em 2022.

A mudança ocorre após a Lei 15.100/2025, que restringiu o uso de aparelhos eletrônicos nas escolas quando não houver finalidade pedagógica.

Desigualdade continua afetando resultados

Apesar da melhora apontada na série histórica, os dados também revelam diferenças significativas dentro do sistema educacional brasileiro.

Em ciências, a distância de desempenho associada à condição socioeconômica chegou a 96 pontos entre estudantes de diferentes níveis de renda. A diferença supera os 85 pontos registrados, em média, nos países da OCDE.

A frequência escolar é outro ponto de atenção. Segundo o Pisa, 55% dos jovens brasileiros afirmaram ter faltado à escola por pelo menos um dia inteiro nas duas semanas anteriores à realização da prova.

Nos países da OCDE, o percentual foi de 22%.

Os dados indicam que a melhora das médias nacionais não elimina problemas relacionados à desigualdade social, à permanência dos estudantes nas escolas e à qualidade da aprendizagem.

Especialistas defendem avanço com mais equidade

Para Ricardo Henriques, superintendente executivo do Instituto Unibanco, o resultado brasileiro não deve ser interpretado apenas pela posição ocupada no ranking internacional.

Na avaliação dele, o principal desafio é ampliar a aprendizagem entre os estudantes que apresentam os piores resultados, reduzindo o peso da origem socioeconômica sobre as oportunidades educacionais.

Henriques afirma que o país enfrenta dois problemas simultâneos: o nível médio de aprendizagem permanece baixo e as condições sociais continuam influenciando fortemente o desempenho dos alunos.

Para o especialista, experiências internacionais mostram que não é necessário escolher entre melhorar a qualidade do ensino e reduzir desigualdades. As duas metas, segundo ele, precisam avançar conjuntamente.

Sonia Dias, gerente de Desenvolvimento e Soluções do Itaú Social, também reconhece a evolução brasileira, mas ressalta que ainda existem obstáculos estruturais.

Entre os problemas citados estão as condições de infraestrutura das escolas, a distribuição de recursos e a qualidade da oferta educacional. Para ela, o avanço observado no Pisa deve ser acompanhado de novas medidas para aproximar o Brasil dos níveis de desempenho registrados pelos países da OCDE.

Fonte: Eu Estudante

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