Conflito entre Israel e Hamas completa dois anos com crise humanitária em Gaza
ONU cobra proteção a civis enquanto EUA e Egito tentam intermediar cessar-fogo
O conflito entre Israel e o Hamas, iniciado em 7 de outubro de 2023, continua a impactar o Oriente Médio, dois anos após o início dos ataques que reacenderam uma das crises mais graves da região nas últimas décadas.
Naquela madrugada, militantes do Hamas lançaram uma ofensiva surpresa contra Israel a partir da Faixa de Gaza, em uma ação chamada “Operação Inundação de Al-Aqsa”. Os ataques, realizados por terra, mar e ar, atingiram áreas militares, comunidades israelenses e um festival de música. Em resposta, Israel prometeu eliminar o Hamas e iniciou uma ampla ofensiva sobre Gaza.
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Deslocamentos e primeiras tréguas
Dias depois, o Exército israelense ordenou a evacuação do norte de Gaza, forçando mais de um milhão de pessoas a deixarem suas casas, segundo a ONU. Os ataques de retaliação resultaram em milhares de mortos e feridos.
Após sete semanas de combate, uma trégua temporária de sete dias entrou em vigor em novembro de 2023, mediada por Qatar, Egito e Estados Unidos. Durante o cessar-fogo, 81 reféns israelenses foram libertados pelo Hamas em troca de 240 prisioneiros palestinos. O acordo foi rompido pouco tempo depois, e os bombardeios voltaram a atingir Gaza.
Reação internacional e escalada regional
Em janeiro de 2024, o Tribunal Internacional de Justiça ordenou que Israel impedisse atos de genocídio na Faixa de Gaza, após denúncia apresentada pela África do Sul. O processo segue em andamento.
A guerra também se expandiu para o Líbano, onde o grupo Hezbollah entrou em confronto com Israel. As hostilidades, que duraram de outubro a novembro de 2024, deixaram quase 4 mil mortos e mais de 16 mil feridos. O líder do Hezbollah, Hassan Nasrallah, foi morto em setembro daquele ano em um ataque israelense em Beirute.
Guerra com o Irã e crise humanitária
Em junho de 2025, Israel e Irã travaram uma “guerra-relâmpago” de 12 dias, com ataques a instalações nucleares e bases militares. O conflito deixou mais de mil mortos no Irã e 28 em Israel, segundo uma organização internacional.
A situação humanitária em Gaza se agravou. Em agosto de 2025, a ONU declarou oficialmente estado de fome no território, o primeiro no Oriente Médio. Mais de 500 mil pessoas foram afetadas, e o órgão atribuiu a crise à obstrução de ajuda humanitária.
Tentativas de cessar-fogo e proposta de paz
Diversas tentativas de cessar-fogo foram negociadas ao longo de 2025. Em janeiro, um acordo mediado por Qatar, Egito e EUA resultou na troca de 33 reféns por cerca de 2 mil prisioneiros palestinos, mas foi rompido dois meses depois.
Em setembro de 2025, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, apresentou um plano de paz para encerrar o conflito. A proposta inclui o fim da ofensiva israelense, a libertação dos reféns e o desarmamento do Hamas. O grupo afirmou estar aberto às negociações, que continuam no Egito.
De acordo com autoridades locais, os ataques israelenses deixaram mais de 66 mil mortos e 170 mil feridos em Gaza desde 2023. O Hamas ainda mantém 48 reféns, dos quais 20 são considerados vivos por Israel.
Fonte: Euronews