PF ouve investigados sobre compra do Banco Master pelo BRB
Depoimentos podem definir se caso fica no STF ou volta à Justiça Federal
A Polícia Federal (PF) começou a ouvir, nesta segunda-feira (26), oito pessoas investigadas no inquérito que apura supostas irregularidades na tentativa de compra do Banco Master pelo Banco de Brasília (BRB). Essa etapa da investigação pode ser decisiva para definir se o caso continuará tramitando no Supremo Tribunal Federal (STF) ou se retornará à Justiça Federal em Brasília.
Os depoimentos ocorrem na sede do STF, em sessões presenciais e por videoconferência. O primeiro a prestar esclarecimentos foi Dário Oswaldo Garcia Junior, diretor de Finanças e Controladoria do BRB. Na sequência, também são ouvidos André Felipe de Oliveira Seixas Maia, diretor de uma empresa investigada; Henrique Souza e Silva Peretto, empresário; e Alberto Felix de Oliveira, superintendente-executivo de Tesouraria do Banco Master.
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Na terça-feira (27), estão previstos os depoimentos de Robério Cesar Bonfim Mangueira, superintendente de Operações Financeiras do BRB; Luiz Antonio Bull, diretor de Riscos, Compliance, RH e Tecnologia do Banco Master; Angelo Antonio Ribeiro da Silva, sócio do banco; e Augusto Ferreira Lima, ex-sócio da instituição.
O cronograma foi autorizado pelo ministro Dias Toffoli, relator do caso no STF. No dia 16 deste mês, o inquérito foi prorrogado por mais 60 dias para permitir o avanço das apurações.
A investigação busca esclarecer os detalhes da tentativa de aquisição do Banco Master pelo BRB. O caso chegou ao STF em dezembro do ano passado, quando Toffoli decidiu que deveria tramitar na Suprema Corte. Antes disso, o inquérito estava sob responsabilidade da Justiça Federal do Distrito Federal.
Segundo a PF, o Banco Master teria emitido Certificados de Depósito Bancário (CDBs) com promessa de rendimentos de até 40% acima da taxa básica de mercado. Para os investigadores, esses retornos seriam irreais, e o esquema pode ter movimentado cerca de R$ 12 bilhões. A PF também aponta indícios de que dirigentes do BRB tenham participado das operações.
Em março, o BRB chegou a fechar um acordo para comprar o Banco Master, mas o negócio foi barrado pelo Banco Central. O dono do Master, Daniel Vorcaro, foi preso em novembro do ano passado durante a Operação Compliance Zero, mas acabou solto dias depois por decisão do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1).
Na semana passada, a PF deflagrou uma nova fase da Operação Compliance Zero para aprofundar as investigações sobre fraudes financeiras envolvendo o Banco Master. De acordo com os investigadores, o grupo teria explorado vulnerabilidades do mercado de capitais para realizar fraudes por meio de fundos de investimento e de relações societárias, familiares ou funcionais.
A PF aponta indícios de ao menos cinco crimes: organização criminosa, gestão fraudulenta de instituição financeira, indução de investidores ao erro, uso de informação privilegiada e manipulação de mercado, além de lavagem de dinheiro. As apurações também identificaram operações com ativos sem liquidez, preços artificialmente inflados e transações entre partes relacionadas, com possível uso de “laranjas” e sócios ocultos.
O inquérito segue em andamento, e a PF ainda deve ouvir outras pessoas e analisar documentos apreendidos para concluir a investigação.
Fonte: G1