Uma prefeitura a serviço da pedofilia
Denúncia de ex-aliado relata a intermediação com adolescentes para encontros sexuais
Em Pio IX, cidade de pouco mais de 17 mil habitantes no interior do estado do Piauí, a política costuma ser resolvida entre conhecidos. Foi desse ambiente que emergiu uma denúncia que, silenciosamente, atravessou a rotina local e chegou ao Tribunal de Justiça do Piauí sobre uma rede de pedófilia onde o prefeito é o principal artífice.
O prefeito Silas Noronha (PSD) é hoje alvo de um inquérito que apura suspeitas de favorecimento à exploração sexual de menores. O processo está sob análise da 2ª Câmara Especializada Criminal e, como ocorre em casos dessa natureza, tramita sob sigilo parcial.
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A origem da investigação remonta a um rompimento político pós-eleição. Um ex-colaborador da campanha do prefeito procurou a Polícia Civil e apresentou um relato cheio de evidências que, se confirmado, descreve uma engrenagem informal de aproximação entre o gestor e adolescentes, e a prefeitura da cidade tendo a estrutura sendo usada para corrupção de menores com fins para prostituição infantil. Segundo relatou a polícia, cabia a sua atuação intermediar contatos com jovens que, afirma, teriam entre 13 e 14 anos. Os jovens seriam então levados para encontros sexuais com o prefeito.
O depoimento descreve um arranjo que envolveria compensações financeiras e promessas de emprego. De acordo com o denunciante, a dinâmica teria se intensificado após a reeleição do prefeito em 2024, quando ele diz ter sido novamente acionado para dar continuidade às intermediações, agora com a previsão de pagamentos regulares.
Ele sustenta ter reunido provas que incluiriam áudios, vídeos, registros de transferências e conversas. Todo o material, segundo afirma, foi entregue às autoridades responsáveis pela apuração.
A investigação começou na 1ª Delegacia de Corrente e, concluída a fase inicial, foi encaminhada ao Judiciário. O inquérito trata de possível favorecimento à exploração sexual de menores, uma tipificação que, por envolver crianças e adolescentes, recebe tratamento prioritário conforme o Estatuto da Criança e do Adolescente.
Há também um desdobramento fora dos autos. O denunciante afirma ter sido alvo de ameaças após formalizar as acusações. Em resposta, publicou um vídeo nas redes sociais, no qual relata o caso e afirma temer pela própria segurança.
O prefeito nega todas as acusações. Em manifestações públicas, sustenta que a denúncia faz parte de uma tentativa de extorsão, que envolveria o ex-colaborador e um familiar. Afirma que não houve qualquer irregularidade e que os fatos serão esclarecidos no curso do processo.
Sem decisão até o momento, o caso segue em tramitação no Tribunal de Justiça.
Fonte: Portal AZ