Marinalva do Matizes critica governo e condução de caso de estupro na Delegacia

Ativista do Grupo Matizes acusa tentativa de minimizar crime e denuncia invisibilização de mulheres na investigação

Por José Ribas,

A professora e ativista Marinalva Santana, uma das fundadoras do Grupo Matizes, se manifestou publicamente nas redes sociais e em áudios sobre o caso de possível estupro ocorrido dentro da Delegacia-Geral da Polícia Civil do Piauí, em Teresina. Em tom crítico, ela questionou tanto a gestão da segurança pública quanto a forma como o episódio vem sendo conduzido pelas autoridades.

Foto: ReproduçãoMarinalva lidera um dos mais tradicionais grupos de direitos humanos do Piauí
Marinalva lidera um dos mais tradicionais grupos de direitos humanos do Piauí

Segundo Marinalva, o fato de um crime dessa natureza ocorrer dentro de uma unidade central da Polícia Civil expõe fragilidades graves. “É uma coisa surreal, inadmissível você ter um crime desse dentro de uma delegacia”, afirmou. Para ela, o episódio contrasta com o discurso oficial de eficiência na segurança pública, que classificou como “fantasioso”.

A ativista também criticou a coletiva de imprensa conduzida pela Polícia Civil, especialmente a forma como o delegado-geral destacou a versão do investigado, que teria alegado relação sexual consentida. “Como é que um ato sexual consentido termina com a vítima entre a vida e a morte, internada em UTI?”, questionou.

Outro ponto levantado foi a participação de mulheres na condução pública do caso. Marinalva afirmou que a presença da delegada Adriana Máximo na coletiva foi meramente simbólica, sem espaço efetivo de fala. “Em momento algum o microfone foi repassado a ela”, disse, acrescentando que também não houve manifestação das delegadas responsáveis pela investigação.

Nas redes sociais, a ativista fez críticas diretas ao governo estadual, afirmando que há uma tentativa de “convencer a opinião pública” sem enfrentar a gravidade do caso. Em publicação, declarou que as mulheres estariam sendo tratadas como “figuras decorativas” dentro da estrutura institucional.

A fala de Marinalva ocorre em meio à crescente repercussão do caso, que envolve uma vítima internada em estado grave e um investigado já preso preventivamente. O episódio tem gerado críticas sobre transparência, comunicação institucional e a condução das investigações.

Até o momento, o governo do estado e a cúpula da segurança pública não responderam diretamente às declarações da ativista. O caso segue sob investigação.

Fonte: Portal Az

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