TCU vê indícios de improbidade em conduta do BRB na compra do Master

Tentativa de compra ignorou alertas e inconsistências financeiras

Por Viviane Setragni,

Uma auditoria técnica do Tribunal de Contas da União identificou indícios de irregularidades na tentativa de aquisição do Banco Master pelo Banco de Brasília, operação frustrada em 2025. O relatório aponta que gestores da instituição, incluindo integrantes do Governo do Distrito Federal, podem ter atuado com falta de diligência e gestão temerária.

Foto: Hugo Barreto/MetrópolesOk

Segundo o documento, havia “fortes indícios” de que a cúpula do banco manteve as negociações mesmo diante de alertas e inconsistências apontadas pelo Banco Central do Brasil, responsável por barrar a operação. A decisão do BC foi unânime e baseada na ausência de comprovação da viabilidade econômico-financeira do negócio.

A análise do TCU foi realizada no contexto do processo de liquidação do Banco Master, que teve como controlador o ex-banqueiro Daniel Vorcaro. A instituição foi alvo de investigações por suspeitas de fraudes bilionárias, o que agravou sua situação financeira e levou à intervenção.

De acordo com a auditoria, o BRB teria ignorado inconsistências relevantes nos dados apresentados. Um dos pontos destacados foi a divergência nos valores dos ativos informados, que passaram de R$ 25 bilhões para mais de R$ 31 bilhões em curto intervalo de tempo, sem explicações consideradas suficientes pelos órgãos de controle.

O relatório também afirma que a tentativa de aquisição de uma instituição com indícios de insolvência e possíveis passivos ocultos poderia gerar prejuízo de dezenas de bilhões de reais aos cofres do Distrito Federal. Para os auditores, a ausência de uma análise adequada de riscos comprometeu a segurança da operação.

Outro ponto levantado foi a atuação do governo distrital junto ao TCU. Segundo o documento, houve tentativa de utilizar a Corte como uma via para reverter a decisão técnica do Banco Central, o que foi classificado como inadequado e contrário aos princípios da administração pública.

A auditoria concluiu que o Banco Central atuou de forma técnica e dentro da legalidade ao impedir a compra. Ao final, o TCU recomendou o envio das conclusões ao Ministério Público do Distrito Federal e Territórios e ao Tribunal de Contas do Distrito Federal para aprofundamento das investigações e eventual responsabilização dos envolvidos.

O caso segue sob análise do ministro Jhonathan de Jesus, que decidiu suspender temporariamente o processo sobre a atuação do Banco Central, considerando o andamento de investigações paralelas conduzidas pela Polícia Federal, pelo Supremo Tribunal Federal e pela Controladoria-Geral da União.

Fonte: Metrópoles

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