Mineradora dos EUA compra Serra Verde por US$ 2,8 bilhões
Negócio envolve mina em Goiás e amplia atuação fora da Ásia
A mineradora norte-americana USA Rare Earth anunciou a aquisição da brasileira Serra Verde em uma negociação avaliada em cerca de US$ 2,8 bilhões. O acordo, divulgado nesta segunda-feira (20), transfere o controle da operação da mina de Pela Ema, localizada em Minaçu, em Goiás.
A unidade é atualmente a única no Brasil em operação voltada à extração de argilas iônicas, com produção iniciada em 2024. O ativo se destaca por produzir terras raras consideradas estratégicas, como disprósio, térbio e ítrio, utilizadas em tecnologias avançadas, incluindo veículos elétricos, turbinas eólicas, equipamentos eletrônicos e sistemas de defesa.
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O setor de terras raras é amplamente concentrado na Ásia, especialmente na China, responsável por grande parte da produção global. Nesse contexto, a aquisição é vista como parte de um movimento para diversificar a cadeia de suprimentos desses minerais em nível internacional.
Segundo as empresas, a integração das operações permitirá a formação de uma estrutura global com atuação em diferentes etapas da cadeia produtiva, desde a mineração até a fabricação de ímãs. A expectativa é ampliar a capacidade produtiva da unidade brasileira nos próximos anos, com previsão de expansão até o fim da década.
O contrato firmado inclui um acordo de fornecimento com duração de 15 anos, garantindo a destinação integral da produção inicial para uma empresa estruturada com apoio de agências governamentais dos Estados Unidos e capital privado. O modelo prevê maior previsibilidade financeira e suporte a novos investimentos.
A nova estrutura empresarial deverá reunir operações em países como Brasil, Estados Unidos, França e Reino Unido, consolidando presença internacional no setor de terras raras leves e pesadas. O acordo também mantém a equipe da empresa brasileira, com executivos integrando a direção da companhia compradora.
A movimentação ocorre em um cenário de crescente interesse global por minerais estratégicos, considerados essenciais para o avanço tecnológico e a transição energética. Para o Brasil, a operação reforça o potencial do país no fornecimento desses insumos ao mercado internacional.
No mercado financeiro, o anúncio foi bem recebido, com valorização das ações da empresa norte-americana no pregão após a divulgação do acordo.
Fonte: Agência Brasil