Marketing Político às Avessas: muita exposição, pouca credibilidade

Pré-candidatos intensificam presença nas redes, mas a ausência de conteúdo consistente e estratégica  compromete o engajamento e desgasta a imagem pública

Por Márcio Felipe Rocha | Especialista em Jornalismo e Marketing Político,

Parte dos pré-candidatos a cargos eletivos confunde presença na mídia com construção política, o que destoa da realidade. Isso é comum nas redes sociais, sobretudo com a proximidade das eleições. Apostam em vídeos diários, agendas expostas e bordões genéricos. O resultado é previsível: alta exposição com baixo engajamento do público.

Foto: Portal AZok

O problema não é aparecer, mas aparecer sem dizer algo relevante. Comunicação repetitiva, sem proposta objetiva e desconectada de problemas concretos, perde valor rapidamente. O eleitor reconhece esse padrão e passa a ignorar. Isso se evidencia quando o pré-candidato publica, de forma contínua, conteúdos afirmando que está “ouvindo a população” de maneira superficial ou que “vai melhorar a cidade”, sem apresentar diagnóstico nem indicar caminhos práticos. As mensagens tornam-se semelhantes e deixam de informar.

Outro erro recorrente é o desalinhamento entre discurso e trajetória. Promessas amplas, sem base verificável, reduzem a credibilidade. Inconsistências são hoje identificadas com rapidez, já que os eleitores têm acesso imediato à informação.

No ambiente digital, a falha se repete: uso das redes como vitrine, sem escuta. Fala-se muito e interage-se pouco, o que limita o alcance e enfraquece a imagem pública.

Falta, sobretudo, método: leitura de cenário, definição de público e estabelecimento de prioridades. Sem isso, a comunicação se fragmenta e não gera acúmulo político.

Nesse contexto, visibilidade sem conteúdo não constrói; desgasta. Comunicação política exige trabalho consistente, diagnóstico, planejamento, clareza e propostas concretas, além de coerência ao longo do tempo. Sem esses elementos, o excesso atua contra o próprio candidato.

Muitos ainda acreditam que a experiência prática substitui a técnica. Já ouvi de um ex-senador que, por atuar há mais de 20 anos, não precisava ouvir ninguém. O resultado foi a derrota eleitoral. Liderança exige, antes de tudo, capacidade de escuta. Sem orientação técnica em marketing político, o caminho tende a ser limitado.

Fonte: Portal AZ

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