ONU denuncia 4 mil detidos e 21 executados no Irã desde início da guerra
Volker Türk pede que as autoridades iranianas suspendam as execuções.
O alto comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Volker Türk, denunciou nesta quarta-feira (29) a detenção de mais de 4 mil pessoas no Irã por acusações ligadas à segurança nacional desde o início da guerra envolvendo o país, Israel e os Estados Unidos, há cerca de dois meses. Segundo ele, ao menos 21 pessoas foram executadas no mesmo período.
De acordo com o representante da ONU, entre os executados estão nove pessoas relacionadas a protestos realizados em janeiro, dez apontadas como integrantes de grupos de oposição e duas condenadas por espionagem. Türk afirmou que a situação dos direitos humanos no país segue preocupante e relatou práticas consideradas abusivas no tratamento de detidos.
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O alto comissário pediu que as autoridades iranianas suspendam as execuções e estabeleçam uma moratória para a pena de morte. Também solicitou garantias de respeito ao devido processo legal, incluindo o direito a julgamentos justos e à defesa adequada, além da libertação de pessoas detidas sem base legal.
Segundo a ONU, muitos acusados enfrentam processos acelerados e, em alguns casos, não têm acesso à escolha de advogados. Há ainda relatos de tortura, maus-tratos e uso de coerção para obtenção de confissões.
Türk também afirmou que dezenas de presos foram levados para locais não divulgados, sem informações sobre seus paradeiros. Entre eles está a advogada de direitos humanos Nasrin Sotoudeh, conhecida por sua atuação em defesa de liberdades civis no país.
O comissário destacou ainda a situação da ativista Narges Mohammadi, vencedora do Prêmio Nobel da Paz em 2023, que permanece presa. Segundo ele, há preocupação com o estado de saúde da ativista, que teria sofrido um infarto e enfrenta problemas crônicos durante o período de detenção.
As denúncias ocorrem em meio ao cenário de conflito na região e ampliam a pressão internacional sobre o Irã em relação ao respeito aos direitos humanos.
Fonte: DW