Exclusivo: ex-esposa contradiz Oswaldo Eustáquio após agressão à filha

Sandra Terena diz que ataque não teve motivação política e contesta declarações do ex-marido sobre a família

Por José Ribas Neto,

A ex-esposa do jornalista bolsonarista Oswaldo Eustáquio, Sandra Terena, contestou publicamente a versão de que a agressão sofrida pela filha do casal, Mariana Eustáquio, de 18 anos, teria sido motivada por questões políticas. Em manifestação nas redes sociais, ela afirmou que o conflito teve outra origem e aproveitou para rebater declarações do ex-marido sobre a situação financeira da família.

O posicionamento foi divulgado após a repercussão do caso, que ganhou dimensão nacional em razão das declarações de Eustáquio e de seu histórico de embates com o Supremo Tribunal Federal (STF).

Foto: ReproduçãoComentário de Sandra nas redes sociais
Comentário de Sandra nas redes sociais


A agressão

O episódio ocorreu na noite de 13 de junho, no Contexto Bar, localizado no Setor de Clubes Sul, em Brasília, logo após a transmissão da partida entre Brasil e Marrocos pela Copa do Mundo de 2026.

Segundo o boletim de ocorrência, Mariana estava acompanhada de uma amiga quando uma mulher, ainda investigada pela Polícia Civil do Distrito Federal, iniciou uma discussão e passou a agredir fisicamente a acompanhante da jovem, puxando seus cabelos, desferindo socos e lançando bebida em seu rosto.

Ao tentar separar a briga, Mariana também foi atacada. Conforme o registro policial, ela foi puxada pelos cabelos, caiu para trás e bateu a cabeça, perdendo a consciência. Testemunhas relataram que, mesmo desacordada, a jovem chegou a ser pisoteada durante a confusão.

Socorrida ao Hospital Santa Lúcia, Mariana recebeu diagnóstico de fratura por compressão na vértebra L2 da coluna lombar e hematoma na cabeça. O caso é investigado pela 1ª Delegacia de Polícia (Asa Sul) como lesão corporal.

A polícia já recebeu imagens das câmeras de segurança do estabelecimento. O Contexto Bar informou que colaborou integralmente com a investigação e que a suspeita da agressão já foi identificada.

Caso ganhou repercussão política

A agressão passou a repercutir no meio político após manifestações de Oswaldo Eustáquio nas redes sociais. Exilado na Espanha desde 2022 e alvo de mandados de prisão expedidos pelo ministro Alexandre de Moraes, do STF, o jornalista sugeriu que o ataque poderia estar relacionado ao histórico de perseguição política que, segundo ele, enfrenta.

Em vídeo publicado para seus seguidores, Eustáquio afirmou possuir informações sobre a identidade da agressora e responsabilizou Moraes por não poder acompanhar pessoalmente a recuperação da filha, alegando que a apreensão do passaporte de Mariana impediu sua viagem.

A repercussão levou parte de seus apoiadores a levantar a hipótese de que a violência teria motivação política. Até o momento, porém, a Polícia Civil do Distrito Federal não confirmou essa linha de investigação e segue analisando depoimentos, imagens e demais provas para esclarecer o que provocou a confusão.

Sandra Terena rebate versão do ex-marido

Foi diante dessa repercussão que Sandra Terena decidiu se pronunciar. Em comentário publicado nas redes sociais, reagiu a um vídeo publicado por Salomão Vieira, que se apresenta como amigo pessoal de Oswaldo Eustáquio e que, na publicação, fazia pedidos de doação via Pix para a família, ela afirmou que diversas informações divulgadas sobre o caso seriam falsas.

Segundo Sandra, a agressão não ocorreu porque Mariana é filha de Oswaldo Eustáquio, mas por outro motivo, sem qualquer relação política.

Ela também direcionou uma série de críticas ao ex-marido. Sandra afirmou que é a única responsável pelo pagamento das despesas médicas de Mariana, incluindo o plano de saúde, e disse que Oswaldo Eustáquio não contribui financeiramente nem para o tratamento da filha nem para o sustento dos filhos. Segundo ela, todos os exames necessários foram realizados graças aos recursos custeados por ela. A ex-esposa do jornalista também alegou que campanhas de arrecadação estariam utilizando indevidamente sua chave Pix e seu número de telefone, sem que os valores arrecadados fossem destinados às crianças. Por fim, declarou que Eustáquio jamais pagou pensão alimentícia aos filhos.

Sandra também contestou informações divulgadas sobre uma conta bancária utilizada em campanhas de arrecadação, afirmando que houve confusão entre o nome do pai e o do filho, o que, segundo ela, teria induzido o público ao erro.

Sandra detalhou o caso

Procurada por esta reportagem para mais esclarecimentos, Sandra Terena confirmou ter tomado conhecimento do vídeo de Salomão Vieira na madrugada de domingo (21) e afirmou que tomará “todas as medidas cabíveis” diante do pedido de doações feito por ele.

Sobre a motivação da briga, ela disse que ainda não há certeza sobre o que a originou, mas relatou que, segundo a amiga de Mariana, a primeira a ser agredida, a confusão começou quando a autora do ataque puxou seu cabelo, e Mariana foi atingida ao tentar fazê-la parar. Questionada se, com base nesse relato, o episódio poderia ser classificado como um desentendimento sem relação política, Sandra respondeu que sim, “pelo que falei com a minha filha”.

A ex-mulher de Eustáquio afirmou ainda que a filha “segue se recuperando” e que, além dela, cuida sozinha dos outros dois filhos do casal. Questionada se acredita que recursos arrecadados em campanhas como a de Salomão Vieira sejam usados pelo ex-marido para custear despesas pessoais, Sandra disse que Oswaldo “nunca pagou pensão” e que o ajudou apenas “de forma esporádica até novembro do ano passado”. Segundo ela, chegou a entrar com uma ação de cobrança, que foi arquivada depois que ele passou a contribuir voluntariamente. No entanto, afirmou que vai “precisar retomar esta ação”.

Sandra disse ainda ter ficado “extremamente incomodada” ao ver o vídeo de Salomão Vieira, por considerar que ele contém “muitas informações equivocadas”, e questionou o uso do nome dos filhos em campanhas de arrecadação das quais, segundo ela, as crianças não teriam recebido nenhum valor. Ela acrescentou se considerar “uma pessoa discreta”, mas afirmou que não poderia “se calar” diante da situação, dizendo que seu maior objetivo é proteger os filhos, que, segundo ela, já teriam sido muito expostos enquanto moravam com o pai. Sandra informou ainda que as crianças vivem com ela desde março de 2025.

O que diz Oswaldo Eustáquio

Desde a agressão, Oswaldo Eustáquio tem concentrado suas manifestações públicas na busca pela responsabilização da agressora e na recuperação da filha.

Em entrevista ao portal Metrópoles em outra ocasião, ele afirmou não saber qual foi a motivação do ataque e descreveu sentimento de impotência por estar fora do Brasil. Em outra publicação, voltou a mencionar as restrições judiciais impostas pelo STF e fez um apelo para que episódios semelhantes não voltem a ocorrer.

Foto: ReproduçãoOswaldo Eustáquio
Oswaldo Eustáquio

Histórico de investigações e arrecadações

As divergências envolvendo arrecadações financeiras já haviam aparecido anteriormente na família.

Em 2025, o STF determinou o bloqueio dos perfis de Mariana Eustáquio nas redes sociais sob suspeita de que estariam sendo utilizados para contornar restrições judiciais impostas ao pai e captar recursos. A decisão foi posteriormente revista, mediante cumprimento de determinadas condições judiciais.

Já em agosto de 2024, a Polícia Federal cumpriu mandados de busca e apreensão contra Sandra Terena e Mariana, ocasião em que apreendeu celulares, passaportes e bloqueou contas bancárias da adolescente. Na época, a investigação apontava suspeitas de que recursos arrecadados estariam sendo direcionados ao jornalista.

Mandados de prisão

Atualmente vivendo na Espanha, Oswaldo Eustáquio é alvo de dois mandados de prisão expedidos pelo ministro Alexandre de Moraes. Ele responde a investigações por crimes como ameaça, corrupção de menores e tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, em decorrência de fatos relacionados aos atos de 8 de janeiro de 2023.

Em dezembro de 2025, a Justiça espanhola rejeitou o pedido de extradição apresentado pelo governo brasileiro, entendendo que havia elementos suficientes para considerar possível motivação política no pedido. Enquanto isso, a investigação sobre a agressão sofrida por Mariana segue em andamento, sem conclusão oficial sobre as circunstâncias e a motivação do ataque.

Fonte: Portal AZ

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