Crônica: O jornalismo sempre espera por nós

Há caminhos que escolhemos. Outros, nos escolhem para a vida inteira

Por Por Márcio Felipe | Jornalista | Portal AZ,

Existem profissões que se aprendem. Outras, porém, transformam-se em um modo de existir. O jornalismo pertence a essa segunda categoria.

Foto: Imagem gerada por IA.OK

Minha caminhada na comunicação começou em 30 de julho de 1991. Naquele dia, sem imaginar a dimensão do percurso que se desenhava à minha frente, dei os primeiros passos em uma profissão que, mais do que um ofício, tornou-se parte da minha identidade. Hoje, ao completar 35 anos de atuação ininterrupta na comunicação, percebo que o tempo mudou as tecnologias, reinventou as redações e transformou a forma de produzir notícias. O que permaneceu intacto foi a convicção de que informar é, antes de tudo, um compromisso com a sociedade.

Ao longo dessa trajetória, percorri diferentes caminhos. A publicidade ampliou minha compreensão sobre o poder da comunicação e o valor das ideias capazes de aproximar pessoas e instituições. Durante muitos anos, atuei nesse segmento, participando da fundação de duas agências na capital e desenvolvendo projetos de assessoria, consultoria em comunicação e marketing para empresas, empresários e lideranças políticas. Alguns desses trabalhos ultrapassaram as fronteiras do Brasil, proporcionando experiências internacionais que ampliaram minha visão sobre culturas, organizações e relacionamentos humanos.

Vieram, depois, a gestão pública, a pesquisa científica, a docência, o empreendedorismo e tantos outros desafios que enriqueceram minha formação profissional. Cada etapa deixou marcas, ensinamentos e novas perspectivas. Ainda assim, nenhuma delas foi capaz de afastar o jornalista que sempre existiu dentro de mim.

Minha história com o Portal AZ começou entre 2005 e julho de 2011, período em que tive a oportunidade de apresentar o programa de web TV Manhã AZ, sob a direção do jornalista Luís Antônio Albuquerque, participando de um momento pioneiro da televisão pela internet no Piauí. Também escrevi o Notícias Bombásticas, blog que alcançou grande audiência e ajudou a consolidar uma nova forma de produzir conteúdo jornalístico no ambiente digital, quando esse universo ainda engatinhava no Estado.

Mais tarde, outros compromissos profissionais passaram a ocupar meu cotidiano. Assumi responsabilidades na administração pública, aprofundei minha formação acadêmica e desenvolvi novos projetos. Mas nunca deixei de observar o mundo com o olhar inquieto de um repórter.

Porque quem nasce jornalista não aprende apenas a escrever.

Aprende a ouvir o que não foi dito, a perceber o que muitos preferem ignorar e a compreender que, por trás de cada fato, existe uma história humana que merece ser contada com respeito, responsabilidade e sensibilidade.

É por isso que continuo escrevendo diariamente para o Portal AZ. Não por hábito, nem por rotina, mas porque continuo acreditando que o jornalismo exerce uma das funções mais relevantes da vida democrática: aproximar os fatos das pessoas, estimular a reflexão e contribuir para uma sociedade mais consciente.

Vivemos tempos em que opiniões frequentemente antecedem os acontecimentos e julgamentos surgem antes da apuração. Em meio a esse cenário, sigo convencido de que o compromisso do jornalista não deve ser com conveniências, interesses circunstanciais ou paixões momentâneas. Seu compromisso é com os fatos, com a ética e, sobretudo, com o leitor.

Os anos também me ensinaram que a experiência não endurece quem ama verdadeiramente esta profissão. Ao contrário. Ela humaniza o olhar. Faz compreender que nenhuma manchete é mais importante do que a dignidade das pessoas e que nenhuma notícia pode prescindir da responsabilidade de quem a escreve.

Talvez seja essa a razão pela qual continuo nesta caminhada.

Não escrevo para ocupar espaços ou colecionar assinaturas. Escrevo porque acredito que uma palavra honesta ainda pode despertar consciências, que uma reportagem responsável continua sendo capaz de provocar mudanças e que o jornalismo permanece como um dos mais importantes instrumentos de defesa da cidadania.

Depois de 35 anos de profissão, compreendo que a maior conquista de um jornalista não está nos cargos que exerceu, nos títulos que acumulou ou nos números de audiência que alcançou. O verdadeiro patrimônio de quem vive da palavra é a confiança conquistada junto aos seus leitores.

Essa confiança não se herda. Não se compra. Não se improvisa.

Ela é construída, linha por linha, reportagem por reportagem, dia após dia.

E é exatamente por isso que continuo escrevendo. Não por vaidade, mas por prazer.

Fonte: Portal AZ

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