Calor e café no B-R-O Bró exigem atenção com hidratação
Cardiologista explica os efeitos da cafeína no organismo e alerta sobre sinais de risco
Em Teresina, o café faz parte da rotina de muitas pessoas, inclusive durante o B-R-O Bró, período marcado pelas altas temperaturas. Embora o consumo moderado da bebida geralmente seja seguro para adultos saudáveis, a combinação entre calor intenso, perda de líquidos e excesso de cafeína exige alguns cuidados. Segundo o cardiologista clínico e intervencionista Mauro Guimarães, professor da Afya Educação Médica, o calor aumenta a demanda sobre o sistema cardiovascular, já que os vasos sanguíneos se dilatam para ajudar na dissipação da temperatura e o coração precisa intensificar o bombeamento de sangue. Ao mesmo tempo, a transpiração provoca perda de água e eletrólitos, o que pode favorecer a desidratação.
A cafeína presente no café pode causar um aumento temporário da frequência cardíaca e da pressão arterial. Em pessoas saudáveis e bem hidratadas, o consumo moderado normalmente não representa um problema. A situação merece maior atenção quando existe desidratação ou quando a ingestão de cafeína é elevada. “Em dias de calor extremo, com desidratação já instalada, a soma dos dois fatores pode acentuar taquicardia, sensação de palpitação e, em casos de perda hídrica importante, favorecer hipotensão postural e tontura”, explica Mauro Guimarães. Um leve aumento dos batimentos ou uma sensação passageira de coração acelerado após tomar café pode ocorrer sem representar necessariamente um problema.
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No entanto, sintomas como palpitações persistentes, tontura intensa, falta de ar, dor no peito ou sensação de desmaio não devem ser atribuídos automaticamente ao calor ou à cafeína. Segundo o cardiologista, esses sinais podem estar relacionados à desidratação, alterações nos eletrólitos ou até mesmo a uma arritmia e precisam de avaliação médica. A recomendação é observar a intensidade e a duração dos sintomas. Se forem intensos, recorrentes ou não melhorarem após hidratação e repouso, a orientação é procurar atendimento. Para adultos saudáveis, o consumo moderado de café, equivalente a cerca de três a quatro xícaras por dia ou aproximadamente 300 a 400 mg de cafeína, é considerado seguro para a maioria das pessoas. Ainda assim, a resposta varia de acordo com cada organismo.
Pessoas com hipertensão podem apresentar elevação temporária da pressão após o consumo de cafeína, enquanto indivíduos com arritmias podem perceber aumento das palpitações. Pacientes com insuficiência cardíaca, doença coronariana grave ou que passaram recentemente por eventos cardiovasculares devem conversar com o médico que acompanha o caso antes de alterar o consumo da bebida. Durante os dias mais quentes, a principal orientação é não substituir a água por café, refrigerantes ou energéticos. Apesar de bebidas com cafeína também fornecerem líquido, elas não devem ocupar o lugar da hidratação adequada, principalmente quando há transpiração intensa. Os energéticos exigem atenção adicional por concentrarem doses elevadas de cafeína e outros estimulantes. “A regra é simples: café pode acompanhar a rotina, mas água deve ser a principal bebida para hidratação”, ressalta o especialista.
Fonte: Ícone Comunicação