Secretário é afastado no Maranhão após pedir a PMs que prendam petistas

James Mota diz que falas eram brincadeira, mas governador determina investigação

Por Redação do Portal AZ,

O secretário de Segurança de Barra do Corda, no Maranhão, Antonio James Mota da Silva, foi afastado do cargo após enviar áudios a um grupo de policiais militares em que defendia a prisão de eleitores do PT para intimidar outros apoiadores do partido. Sargento da PM cedido à prefeitura, ele teve o afastamento municipal formalizado na quinta-feira (22), a três dias do segundo turno. A medida vale até o encerramento da disputa eleitoral.

Foto: Divulgação/Prefeitura de Barra do CordaJames Mota
James Mota

Nas gravações, Mota menciona pessoas que distribuíam material de campanha de Lula no primeiro turno e incentiva os integrantes do grupo a agir contra petistas. “O primeiro que nós prender na cidade ou no povoado, sai a história, eles vão ficar com medo”, afirma em um dos trechos. As mensagens foram divulgadas pelo vice-governador do Maranhão, Felipe Camarão (PT), que cobrou providências das autoridades.

O afastamento foi determinado pelo prefeito Rigo Teles por meio de portaria. Em nota, a prefeitura repudiou condutas contrárias à democracia e à liberdade de escolha dos eleitores e informou que colaboraria com a Justiça Eleitoral. O governador Carlos Brandão também anunciou o afastamento do sargento e uma investigação sobre as declarações, afirmando que tentativas de intimidar eleitores ou interferir no voto são inaceitáveis.

A Federação Brasil da Esperança, formada por PT, PCdoB e PV, apresentou uma notícia-crime à Procuradoria Regional Eleitoral nesta sexta-feira (23). O documento pede investigação urgente, perícia nas gravações, depoimento do secretário e medidas preventivas antes da votação de domingo (25). A notícia-crime comunica às autoridades fatos que podem configurar infração e solicita sua apuração.

Em entrevista ao UOL nesta sexta-feira, Mota reconheceu a autoria das falas, mas disse que eram brincadeiras e provocações políticas entre amigos militares, com manifestações de diferentes posições ideológicas. Ele admitiu excesso nas mensagens e alegou que suas referências a prisões diziam respeito a pessoas que cometessem crimes eleitorais. A declaração foi dada depois da repercussão dos áudios e das medidas anunciadas pela prefeitura e pelo governo estadual.

O episódio ocorre durante o período em que a legislação restringe a prisão de eleitores. Conforme o calendário do Tribunal Superior Eleitoral, desde terça-feira (20) até 27 de outubro, a detenção só é permitida em flagrante, em cumprimento de sentença criminal condenatória por crime inafiançável ou por desrespeito a salvo-conduto.

Fonte: Agência Brasil

Comente

Pequisar