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Tribunal de Justiça manda para a prisão o jornalista Arimateia Azevedo apesar do risco da contaminação da covid-19

Jornalista sofre de vários problemas de saúde e faz parte do grupo de risco da doença

A 2ª Câmara Criminal Especializada do Tribunal de Justiça do Piauí decidiu mandar para o sistema prisional o jornalista Arimatéia Azevedo. 

O julgamento, que ocorreu na manhã desta quarta-feira (22), revogou a prisão domiciliar atribuída ao jornalista devido à pandemia do novo coronavírus. Arimatéia Azevedo sofre de vários problemas de saúde que o incluem no grupo de risco para a covid-19. 

Jornalista Arimatéia Azevedo (Foto: Wilson Nanaia/Portal AZ)

O relator Joaquim Santana votou pela manutenção da prisão domiciliar. Já os desembargadores José Ribamar Oliveira e José James Gomes Pereira decidiram que Arimatéia Azevedo deve ser levado para uma penitenciária.  

Prisão domiciliar

O desembargador Joaquim Dias de Santana Filho, da 2ª Câmara Especializada Criminal do Tribunal de Justiça, concedeu prisão domiciliar ao jornalista Arimatéia Azevedo. O principal porta-voz do Portal AZ ficou seis dias preso e sob censura. A decisão é do dia 17 de junho. 

Arimatéia estava preso no 12º Distrito Policial, no bairro Ininga, na zona Leste, e foi transferido para a sede da Academia de Polícia do Piauí (Acadepol), na zona Sul de Teresina.

A defesa do jornalista sustentou que a prisão imposta representou “indiscutível constrangimento ilegal por conter inúmeras nulidades: prova unicamente testemunhal, frágil e valor relativo; ausência de comprovação de constrangimento mediante violência ou grave ameaça, inexistindo, a comprovação de autoria e materialidade da conduta imputada; ausência prévia da oitiva do Ministério Público no procedimento investigatório, com flagrante infringência ao sistema acusatório”.

A defesa alegou ainda que a conversão em prisão domiciliar era necessária, tendo em vista, que Arimatéia Azevedo tem 67 anos e faz parte do grupo de risco para a COVID-19. No último dia 13, o jornalista já havia apresentado sintomas suspeitos da doença. 

“As características pessoais são favoráveis ao paciente; necessidade de revogação da prisão por inexistência dos requisitos da prisão preventiva; substituição da prisão cautelar por prisão domiciliar, conforme a Recomendação 62 do CNJ, tendo em vista o paciente integrar o grupo de risco a COVID-19, além do mesmo ter apresentado no dia 13 de junho de 2020, os sintomas que caracterizam a presença do vírus SARSCoV-2 e, por fim, a aplicação das medidas cautelares diversas da prisão”, destacou o desembargador.

Estamos impedidos de contar a versão de Arimateia Azevedo

O nosso principal porta-voz está há quarenta e um dias de boca fechada e preso. O jornalista Arimateia Azevedo, 67 anos, foi preso em sua residência no bairro Todos os Santos, onde mora há décadas com sua esposa, seus gatos e outros bichos, enquanto muitos casais comemoravam o Dia dos Namorados, logo após o feriado de Corpus Christi, em meio a uma crise pandêmica. 

Para quem não sabe, Arimateia Azevedo tem um coração gigante, por isso, na sua casa sempre tem vaga para mais um gato abandonado, encontrado na rua ou que chega por lá para ganhar uma moradia digna, livre de maus-tratos ou injustiças dos humanos. O seu senso de justiça vai muito além do jornalismo, profissão que acolheu há 50 anos. Não foi à toa que em 2019 formou-se em Direito. A sua monografia foi justamente sobre como o jornalismo contribuiu para desbaratar o Crime Organizado no Piauí, nas décadas de 1980 e 1990. Para muitos, Arimateia Azevedo foi o mais destemido dos jornalistas ao denunciar os criminosos. Por conta disso, foi alvo de atentado. O seu cachorro foi atingido com um tiro na perna. A família ficou salva.

"Foi a primeira voz a denunciar o crime organizado no Piauí, dez anos antes de a quadrilha ser desmantelada e presa. Por conta da denúncia, na Rádio Difusora, teve que passar uma temporada refugiado em Brasília, por questões de segurança, afinal não havia ninguém para protegê-lo no Piauí”, lembrou Zózimo Tavares, em “O Doutor Ari", texto publicado neste portal em 07/02/2019.

O experiente jornalista Zózimo Tavares, no mesmo artigo, destacou ainda: “Evitou que três inocentes pagassem pelo bárbaro assassinato do empresário e jornalista Helder Feitosa, um crime ocorrido no final da década de 1980 e que até hoje ainda está impune”. 

Com 50 anos enfrentando poderosos e defendendo muitos indefesos, é acusado por muitos de exercer um jornalismo irresponsável ou imprudente. Isso porque talvez muitos não saibam: a sua maior responsabilidade é para com aqueles que não podem se defender. Isso ele leva muito a sério. Como, por exemplo, foi a sua luta para defender a jovem Fernanda Lages, estudante de Direito encontrada morta em 25 de agosto de 2011, no prédio do Ministério Público Federal, na zona Leste de Teresina. 

Com 20 anos de atuação, o Portal AZ é o 1° portal de notícias do Piauí, criado pelo jornalista Arimateia Azevedo no dia 1° de janeiro de 2000. “É o introdutor do jornalismo digital no Piauí, sem saber exatamente o que estava fazendo, com a criação do Portal AZ", conta Zózimo Tavares.

Antes disso, para driblar a censura de donos do jornal, a coluna de Arimateia Azevedo passou a ser publicada na íntegra na internet, na página www.arimateiaazevedo.com.br, mesmo quando o colunista mal sabia ligar um computador. Os textos eram digitalizados com a ajuda de um digitador. E, assim, o ideal foi concretizado: disponibilizar informação de verdade, sem filtros ou cortes de acordo com interesse de chefes políticos ou grandes empresários. 

Arimateia Azevedo começou no jornalismo quando no estado do Piauí nem se falava em curso de Comunicação Social, em 1971, no antigo Jornal O Estado. Trabalhou durante sete anos no Jornal O POVO, do Ceará (1974-1981), saiu de O Estado na década de 1970 e foi para o jornal piauiense O DIA, em 1976, voltando novamente para O Estado. Foi editor dos dois jornais: O Estado, em 1980, e O Dia, em 1993. 

Foi também o primeiro editor do Jornal Meio Norte, em 2001. Fazia free-lance para o Jornal do Brasil (sempre cobrindo o correspondente Wilson Fernando, chegando a tirar suas férias na época em que o Papa João Paulo II veio a Teresina, em julho de 1980). 

Engajou-se no jornalismo investigativo, recebendo por isso todo tipo de ameaça. Como já citado, atuou intransigentemente nas investigações do assassinato do jornalista Helder Feitosa (O Estado), denunciando a manobra do governo de então (1987) de querer apresentar três jovens inocentes como os matadores do jornalista. Em 1988, bateu de frente com o Crime Organizado, denunciando o então capitão Correia Lima. E de lá para cá tem se posicionado sempre na defesa dos interesses sociais. Fundou o Portal AZ para se ver livre da censura.

E, assim, dia 1° de janeiro de 2020, completamos duas décadas de jornalismo 24 horas por dia, 7 dias por semana, sempre em prol de proteger a sociedade piauiense de desmandos e da corrupção. Lutamos pra proteger a justiça, o cidadão comum, o trabalhador, o cliente, o paciente, o consumidor, o comerciante, o profissional liberal, os políticos e os empresários que constroem um Piauí melhor, mais próspero e mais digno de se viver. 

Comemoramos 20 anos de serviços. E nos orgulhamos de provavelmente ser a redação que mais atrai fontes no Piauí, justamente por manter esse caráter combativo e o espírito pelo qual o jornalismo originalmente foi criado, com o objetivo de denunciar corrupção, crimes ou ações ilegais, e, assim, contribuir com o exercício da cidadania e o melhor desenvolvimento da sociedade.

Com o tempo, o Portal AZ também ganhou novos ares, ampliando seu leque de assuntos, contratando profissionais diferenciados e trazendo novos blogueiros, colunistas e correspondentes do interior. Empregando e formando dezenas de jornalistas, hoje sob ameaça de perderem seus empregos, como se já não bastasse a crise pandêmica e econômica que assola o nosso país. 

Com uma linha editorial diversificada, através do Portal AZ o leitor fica sabendo das principais notícias sobre as ações da política, da polícia e da justiça do estado, como também de temas mais leves como concursos, eventos e cultura. 

Finalmente, caros leitores, deixamos o nosso recado: sigam também de cabeças erguidas. Em prol do direito da liberdade de expressão, continuaremos na luta, na confiança de uma justiça cega e séria no nosso estado, em defesa da liberdade.

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Jornalista Arimatéia Azevedo (Foto: Wilson Nanaia/Portal AZ)

O relator Joaquim Santana votou pela manutenção da prisão domiciliar. Já os desembargadores José Ribamar Oliveira e José James Gomes Pereira decidiram que Arimatéia Azevedo deve ser levado para uma penitenciária.  

Prisão domiciliar

O desembargador Joaquim Dias de Santana Filho, da 2ª Câmara Especializada Criminal do Tribunal de Justiça, concedeu prisão domiciliar ao jornalista Arimatéia Azevedo. O principal porta-voz do Portal AZ ficou seis dias preso e sob censura. A decisão é do dia 17 de junho. 

Arimatéia estava preso no 12º Distrito Policial, no bairro Ininga, na zona Leste, e foi transferido para a sede da Academia de Polícia do Piauí (Acadepol), na zona Sul de Teresina.

A defesa do jornalista sustentou que a prisão imposta representou “indiscutível constrangimento ilegal por conter inúmeras nulidades: prova unicamente testemunhal, frágil e valor relativo; ausência de comprovação de constrangimento mediante violência ou grave ameaça, inexistindo, a comprovação de autoria e materialidade da conduta imputada; ausência prévia da oitiva do Ministério Público no procedimento investigatório, com flagrante infringência ao sistema acusatório”.

A defesa alegou ainda que a conversão em prisão domiciliar era necessária, tendo em vista, que Arimatéia Azevedo tem 67 anos e faz parte do grupo de risco para a COVID-19. No último dia 13, o jornalista já havia apresentado sintomas suspeitos da doença. 

“As características pessoais são favoráveis ao paciente; necessidade de revogação da prisão por inexistência dos requisitos da prisão preventiva; substituição da prisão cautelar por prisão domiciliar, conforme a Recomendação 62 do CNJ, tendo em vista o paciente integrar o grupo de risco a COVID-19, além do mesmo ter apresentado no dia 13 de junho de 2020, os sintomas que caracterizam a presença do vírus SARSCoV-2 e, por fim, a aplicação das medidas cautelares diversas da prisão”, destacou o desembargador.

Estamos impedidos de contar a versão de Arimateia Azevedo

O nosso principal porta-voz está há quarenta e um dias de boca fechada e preso. O jornalista Arimateia Azevedo, 67 anos, foi preso em sua residência no bairro Todos os Santos, onde mora há décadas com sua esposa, seus gatos e outros bichos, enquanto muitos casais comemoravam o Dia dos Namorados, logo após o feriado de Corpus Christi, em meio a uma crise pandêmica. 

Para quem não sabe, Arimateia Azevedo tem um coração gigante, por isso, na sua casa sempre tem vaga para mais um gato abandonado, encontrado na rua ou que chega por lá para ganhar uma moradia digna, livre de maus-tratos ou injustiças dos humanos. O seu senso de justiça vai muito além do jornalismo, profissão que acolheu há 50 anos. Não foi à toa que em 2019 formou-se em Direito. A sua monografia foi justamente sobre como o jornalismo contribuiu para desbaratar o Crime Organizado no Piauí, nas décadas de 1980 e 1990. Para muitos, Arimateia Azevedo foi o mais destemido dos jornalistas ao denunciar os criminosos. Por conta disso, foi alvo de atentado. O seu cachorro foi atingido com um tiro na perna. A família ficou salva.

"Foi a primeira voz a denunciar o crime organizado no Piauí, dez anos antes de a quadrilha ser desmantelada e presa. Por conta da denúncia, na Rádio Difusora, teve que passar uma temporada refugiado em Brasília, por questões de segurança, afinal não havia ninguém para protegê-lo no Piauí”, lembrou Zózimo Tavares, em “O Doutor Ari", texto publicado neste portal em 07/02/2019.

O experiente jornalista Zózimo Tavares, no mesmo artigo, destacou ainda: “Evitou que três inocentes pagassem pelo bárbaro assassinato do empresário e jornalista Helder Feitosa, um crime ocorrido no final da década de 1980 e que até hoje ainda está impune”. 

Com 50 anos enfrentando poderosos e defendendo muitos indefesos, é acusado por muitos de exercer um jornalismo irresponsável ou imprudente. Isso porque talvez muitos não saibam: a sua maior responsabilidade é para com aqueles que não podem se defender. Isso ele leva muito a sério. Como, por exemplo, foi a sua luta para defender a jovem Fernanda Lages, estudante de Direito encontrada morta em 25 de agosto de 2011, no prédio do Ministério Público Federal, na zona Leste de Teresina. 

Com 20 anos de atuação, o Portal AZ é o 1° portal de notícias do Piauí, criado pelo jornalista Arimateia Azevedo no dia 1° de janeiro de 2000. “É o introdutor do jornalismo digital no Piauí, sem saber exatamente o que estava fazendo, com a criação do Portal AZ", conta Zózimo Tavares.

Antes disso, para driblar a censura de donos do jornal, a coluna de Arimateia Azevedo passou a ser publicada na íntegra na internet, na página www.arimateiaazevedo.com.br, mesmo quando o colunista mal sabia ligar um computador. Os textos eram digitalizados com a ajuda de um digitador. E, assim, o ideal foi concretizado: disponibilizar informação de verdade, sem filtros ou cortes de acordo com interesse de chefes políticos ou grandes empresários. 

Arimateia Azevedo começou no jornalismo quando no estado do Piauí nem se falava em curso de Comunicação Social, em 1971, no antigo Jornal O Estado. Trabalhou durante sete anos no Jornal O POVO, do Ceará (1974-1981), saiu de O Estado na década de 1970 e foi para o jornal piauiense O DIA, em 1976, voltando novamente para O Estado. Foi editor dos dois jornais: O Estado, em 1980, e O Dia, em 1993. 

Foi também o primeiro editor do Jornal Meio Norte, em 2001. Fazia free-lance para o Jornal do Brasil (sempre cobrindo o correspondente Wilson Fernando, chegando a tirar suas férias na época em que o Papa João Paulo II veio a Teresina, em julho de 1980). 

Engajou-se no jornalismo investigativo, recebendo por isso todo tipo de ameaça. Como já citado, atuou intransigentemente nas investigações do assassinato do jornalista Helder Feitosa (O Estado), denunciando a manobra do governo de então (1987) de querer apresentar três jovens inocentes como os matadores do jornalista. Em 1988, bateu de frente com o Crime Organizado, denunciando o então capitão Correia Lima. E de lá para cá tem se posicionado sempre na defesa dos interesses sociais. Fundou o Portal AZ para se ver livre da censura.

E, assim, dia 1° de janeiro de 2020, completamos duas décadas de jornalismo 24 horas por dia, 7 dias por semana, sempre em prol de proteger a sociedade piauiense de desmandos e da corrupção. Lutamos pra proteger a justiça, o cidadão comum, o trabalhador, o cliente, o paciente, o consumidor, o comerciante, o profissional liberal, os políticos e os empresários que constroem um Piauí melhor, mais próspero e mais digno de se viver. 

Comemoramos 20 anos de serviços. E nos orgulhamos de provavelmente ser a redação que mais atrai fontes no Piauí, justamente por manter esse caráter combativo e o espírito pelo qual o jornalismo originalmente foi criado, com o objetivo de denunciar corrupção, crimes ou ações ilegais, e, assim, contribuir com o exercício da cidadania e o melhor desenvolvimento da sociedade.

Com o tempo, o Portal AZ também ganhou novos ares, ampliando seu leque de assuntos, contratando profissionais diferenciados e trazendo novos blogueiros, colunistas e correspondentes do interior. Empregando e formando dezenas de jornalistas, hoje sob ameaça de perderem seus empregos, como se já não bastasse a crise pandêmica e econômica que assola o nosso país. 

Com uma linha editorial diversificada, através do Portal AZ o leitor fica sabendo das principais notícias sobre as ações da política, da polícia e da justiça do estado, como também de temas mais leves como concursos, eventos e cultura. 

Finalmente, caros leitores, deixamos o nosso recado: sigam também de cabeças erguidas. Em prol do direito da liberdade de expressão, continuaremos na luta, na confiança de uma justiça cega e séria no nosso estado, em defesa da liberdade.

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