Deivid Ferreira é condenado a 15 anos de prisão pela morte de Gabriel Brenno

Juíza Maria Zilnar sentenciou Deivid por homicídio duplamente qualificado com premeditação

Por Fernanda Gil Lustosa e Jade Araújo,

O motorista de aplicativo Deivid Ferreira de Sousa foi condenando a 15 anos, seis meses e 20 dias de reclusão em regime fechado pelo assassinato do estudante Gabriel Brenno Nogueira da Silva Oliveira, de 21 anos, com um tiro na cabeça, no Centro da capital em julho de 2019. O julgamento ocorreu nesta segunda-feira (07) na 2º Vara do Tribunal do Júri em Teresina.

A juíza Maria Zilnar Coutinho Leal condenou Deivid por homicídio duplamente qualificado, com premeditação e negou que ele possa recorrer em liberdade. A condenação aconteceu por maioria dos votos dos jurados.

Deivid Ferreira de Sousa foi condenando a 15 anos, seis meses e 20 dias de reclusão (Foto: Marcelo Gomes / arquivo / Portal AZ)

Em seu depoimento, Devid confessou a autoria do crime, porém negou que tenha acontecido de forma premeditada. A juíza entendeu que houve premeditação já que o acusado buscou se hospedar no mesmo local que a vítima 16 dias antes de cometer o crime. 

"Face à gravidade do crime de homicídio duplamente qualificado praticado pelo acusado; a premeditação no agir; o modus operandi empregado no cometimento do delito; a periculosidade do acusado ao meio social; a fuga que já empreendeu depois do cometimento do delito; o total de pena imposta ao acusado, a manutenção de sua prisão é medida que se impõe, para assegurar a manutenção da ordem pública e garantir a aplicação da Lei Penal", afirma a juíza.

Julgamento aconteceu nesta segunda-feira (Foto: reprodução / Youtube)

A juíza pediu o encaminhamento imediato de Deivid ao presídio e negou que o mesmo possa recorrer em liberdade.

"Acrescente-se que o modus operandi evidenciador da periculosidade social do acusado e a fuga que já empreendeu materializam circunstâncias que não recomendam a substituição da prisão preventiva por outras medidas diversas do encarceramento, porque não se mostram as mesmas suficientes para assegurar a manutenção da ordem pública e da aplicação da lei penal. Isto posto e considerando que presentes se encontram os requisitos e pressupostos legais autorizadores da segregação cautelar, nego ao acusado o direito de recorrer em liberdade", determina.

O julgamento

O julgamento do motorista por aplicativo, Deivid Ferreira de Sousa, ocorre nesta segunda-feira (07) na 2º Vara do Tribunal do Juri em Teresina. Ele é acusado de assassinar o estudante Gabriel Brenno Nogueira da Silva Oliveira, de 21 anos, com um tiro na cabeça, no Centro da capital em julho de 2019.

Thayanne Fernandes, ex-companheira de Deivid foi a primeira a ser ouvida. Ela pediu que o acusado se retirasse por não se sentir confortável na frente dele. Durante a audiência, ela falou que o relacionamento com o acusado passava por crise.

"Todos os dias era um inferno antes da gente se separar. Eu já saía do meu trabalho com cara de choro, porque eu ia chegar naquela casa e a gente iria começar a brigar. Nós passávamos às vezes um mês dentro de casa sem nos falarmos. Ele saía e não falava para onde iria. Eu chegava 8 horas da noite e ele não perguntava se tinha acontecido alguma coisa. Nós estávamos em crise e isso durou por um ano e pouco. Muito antes de eu conhecer o rapaz (Gabriel)", disse.

A ex-companheira também relatou como era o comportamento do marido com outras pessoas. Ela afirmou não ter presenciado nenhuma cena de violência envolvendo Deivid e terceiros. As discussões do casal, porém, eram frequentes, inclusive na frente dos familiares dela.

"Eu saía do meu trabalho 18 horas. Eu tinha que estar em casa 18h30. Se eu chegasse 18h40 em casa já tinha 20 ligações no meu celular. Eu tinha que levar meu ponto para provar que eu tava no meu trabalho. Teve um episódio que ele me perguntou se eu amava ele e gerou uma discussão e do nada ele deu dois murros na minha cabeça e eu saí correndo para a casa da mãe dele. Na frente das pessoas e dos meus amigos ele era uma pessoa maravilhosa, só que quando íamos para a casa da minha família não tinha uma vez que não tinha confusão", relatou.

Em depoimento, Deivid Ferreira, pediu perdão pelo crime que cometeu. "A palavra que eu falo é perdão, não se pode mudar o passado. Então perante às autoridades eu peço perdão, como pai, também como filho, como cidadão, como família, porque eu tenho família, eu peço perdão”.

Deivid Ferreira relatou ainda que foi até a pensão onde o jovem morava para tentar conversar sobre ameaças feitas pela vítima. “Ele chegou a enviar áudios em tons de ameaça e eu fiquei com medo. Eu queria apenas conversar com ele, não foi minha intenção matar ninguém. Eu andava armado apenas por medo” disse. 

O réu disse não ter ciúmes de sua ex-companheira Thayanne Fernandes e negou que isso seria o motivo de ter atirado em Gabriel. Ele ainda afirmou que não se lembra de detalhes e que anda foi premeditado, mas que ouviu um barulho grande e acabou atirando. 

“Não tinha ciúmes, se eu tivesse, eu teria matado era ela. Quando fui encontrar com o Gabriel para conversar ouvir um barulho, mas não lembro o momento em que atirei”, afirmou. 

Depois de cometer o crime, Deivid Ferreira informou que foi para a cidade de Matões (MA) e que a arma usada no crime foi jogada em um rio Itapecuru.

Entenda o caso

Gabriel Brenno Nogueira da Silva Oliveira, de 21 anos, foi atingido por um tiro de arma de fogo na Rua Paissandu, no Centro de Teresina. O crime aconteceu no dia 17 de julho.

De acordo com informações passadas pela polícia, o jovem estava indo a um curso preparatório quando foi surpreendido por um indivíduo que estava em um carro modelo Onix, de cor cinza, que seria Deivid Ferreira. 

A vítima foi socorrida por uma viatura do Serviço Móvel de Urgência e levada, em estado grave, para o Hospital de Urgência de Teresina. O estudante foi alvejado por um tiro na nuca.

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