Famílias denunciam fraudes em obras financiadas pela Caixa
Clientes relatam casas inacabadas, dívidas altas e suspeitas de laudos falsos
O sonho da casa própria se transformou em prejuízo financeiro e disputa judicial para famílias que contrataram financiamentos habitacionais da Caixa Econômica Federal em diferentes regiões do país. Clientes denunciam construtoras por abandono de obras, desvios de recursos e fraudes em documentos usados para liberar parcelas milionárias dos financiamentos.
Os casos vieram à tona após reportagem exibida pelo programa Fantástico neste domingo (18). Segundo os relatos, casais que investiram economias de anos para construir a casa própria descobriram que os imóveis permaneciam inacabados mesmo após a liberação de grande parte dos recursos pela Caixa.
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Em um dos casos, o casal Isael e Marcela financiou entre R$ 400 mil e R$ 500 mil para erguer uma residência. Três anos após o início da construção, a obra segue parada. Laudos apresentados ao banco apontavam mais de 80% da execução concluída, mas uma perícia identificou assinaturas falsificadas e constatou que menos da metade do projeto havia sido realizada.
Após interromper o pagamento das parcelas por suspeita de fraude, a família foi informada de que o imóvel poderá ir a leilão para quitar a dívida.
Situação semelhante ocorreu no Rio Grande do Sul, onde Guilherme e Bruna financiaram R$ 290 mil para construir uma casa em Alvorada. Segundo o casal, a construtora recebeu mais de R$ 200 mil, embora etapas essenciais da obra sequer tivessem começado.
O responsável pela empresa também se apresentava como funcionário da Caixa e acabou demitido por justa causa após denúncias envolvendo o caso. Ainda não há condenação definitiva na Justiça.
Em Pernambuco, outro empresário do setor foi condenado por estelionato após investigação apontar cobrança de valores acima do executado nas obras. O prejuízo estimado supera R$ 126 mil.
Especialistas ouvidos pela reportagem afirmam que inconsistências nos laudos técnicos — como percentuais irreais de execução e assinaturas suspeitas — poderiam ter sido identificadas antes da liberação dos recursos.
A Caixa informou que apura possíveis irregularidades praticadas por funcionários e destacou que, em contratos desse tipo, a responsabilidade pela administração da obra é do cliente. As construtoras citadas negam irregularidades e afirmam que vão se defender judicialmente.
Mesmo diante das perdas financeiras, algumas famílias conseguiram concluir as casas com ajuda de parentes e novos empréstimos. Em comum, os relatos apontam dificuldades financeiras, endividamento e frustração após anos de investimento no projeto da casa própria.
Fonte: Com informações do G1