Em primeiro discurso depois de ser dado como eleito, Biden defende justiça racial

Novo presidente também clamou por cooperação entre Republicanos e Democratas

Por Poder 360,

Joe Biden fez seu 1º discurso na noite deste sábado (07) depois de ter sido anunciado pela mídia norte-americana como presidente eleito dos Estados Unidos.

Em primeiro discurso após ser dado como eleito, Biden defende justiça racial (Foto: reprodução Twitter)

O democrata destacou que uma das principais bandeiras de seu governo serão a justiça social e racial, a proteção do meio ambiente e o combate à pandemia firmado na “rocha da ciência”.

“A América nos chamou para marchar pelas forças da justiça, as forças da ciência e as forças da esperança. E nas grandes batalhas do nosso tempo, a batalha para superar o vírus [coronavírus], de assegurar a segurança de sua família. De se ter justiça social e justiça racial neste país. E a batalha para salvar nosso planeta controlando o clima”, disse Biden.

O futuro morador da Casa Branca confirmou que seu governo criará um grupo formado por cientistas e especialistas para ajudá-lo, já na transição, a pensar em formas de conter o avanço da covid-19 nos EUA. O país tem mais de 230 mil vítimas fatais da doença.

Biden também clamou por cooperação entre Republicanos e Democratas para pacificar os Estados Unidos. Prometeu que fará uma gestão pensando em todos.

“A todos vocês que votaram no presidente Trump. Eu entendo a sua decepção hoje à noite. Passei por momentos assim também. Mas vamos dar 1 ao outro uma chance. Chegou a hora de deixar de lado a retórica difícil. De olhar novamente nos olhos do outro. De se ver novamente e de ter progresso. Para isso, precisamos parar de tratar os nossos oponentes como inimigos. Somos todos norte-americanos.”

O opositor de Trump falou que os Estados Unidos voltarão a ser respeitados no mundo. Destacou que a ele foi concedida uma “vitória clara, convincente, com a maioria dos votos, uma maioria jamais antes vista: 74 milhões”.

“Terei a honra de atuar com uma excelente vice-presidente, Kamala Harris, que faz história como a 1ª negra, a 1ª mulher de descendência indiana eleita neste país. Não venham me dizer que não é possível nos Estados Unidos. Já passa da hora, e essa noite somos lembrados daqueles que lutaram tanto, por tantos anos, para que isso fosse possível”.

DISCURSO DE KAMALA HARRIS

A democrata fez a abertura do discurso na noite deste sábado (7.nov.). Disse que Joe Biden teve a “audácia” de superar obstáculos e escolher uma mulher negra para ser sua vice-presidente.

Kamala afirmou que irá se empenhar por “todas as mulheres que trabalharam para proteger do direito do voto há 100 anos atrás com a 19º Emenda”.

“Hoje, em 2020, com uma nova geração de mulheres em nosso pais, que votaram e continuaram a lutar por seu direito de voto e de serem ouvidas. Hoje, penso em sua luta e determinação. E a força de sua visão para ver o que pode ser feito. Eu me baseio nelas e isso é 1 testemunho de Joe, que ele teve a audácia de superar uma série de barreiras neste país e escolher uma mulher como vice-presidente. Embora eu seja a 1ª mulher, eu não serei a última”, afirmou.

QUEM É JOE BIDEN?

Joseph R. Biden Jr. tem 77 anos, 47 deles passados na política. Formou-se em História e Ciência Política na Universidade do Delaware, e em Direito na Universidade de Syracuse. Foi senador de 1972 a 2008, quando abandonou o Senado para integrar a chapa de Barack Obama. Trabalhou como vice-presidente durante os 2 mandatos de Obama: 2009-2012 e 2013-2016.

Biden foi oficializado como o candidato do partido Democrata em 18 de agosto e apareceu sempre à frente nas pesquisas. Nos 7 últimos levantamentos, todos realizados em outubro, manteve-se com mais de 50% das intenções de voto. Trump, por outro lado, não conseguiu ultrapassar os 43%. Veja aqui o resultado das pesquisas divulgadas desde junho.

TRUMP NEGA O RESULTADO

Sem conseguir reduzir a diferença ao longo da campanha, Trump colocou em xeque a eficiência do sistema de voto pelos correios. Em julho, declarou: “com a votação universal por correio, 2020 será a eleição mais imprecisa e fraudulenta da história”. Trump não apresentou evidências para comprovar a afirmação. Sugeriu, porém, que os eleitores “provassem” a fraude ao votarem duas vezes: presencialmente e por correio.

Levantamento do jornal Washington Post divulgado em junho de 2020 mostrou que, em cerca de 14,65 milhões de votos por correio nas eleições de 2016 e 2018, só foram encontrados 372 casos possíveis de voto duplo ou voto em nome de pessoas falecidas. Isso equivale a 0,0025% do total.

Além de possíveis fraudes, Trump atacou em outra frente: o período para que os votos sejam contados. Segundo o republicano, “a eleição deveria terminar em 3 de novembro, não semanas mais tarde”. Em 1 comício, declarou: “Deveríamos querer ter os votos contados, tabulados e encerrados na tarde ou noite de 3 de novembro”.

Dessa forma, Trump prepara o terreno para contestar a apuração e levar o caso para a esfera judicial. Com a nomeação da juíza Amy Coney Barrett, os magistrados conservadores passaram a ser maioria na Suprema Corte. Um dia antes da eleição, em 2 de novembro, o republicano ameaçou entrar com uma ação legal na Justiça contra o resultado da eleição presidencial. Mais uma vez, falou em “fraude” e “manipulação” na contagem dos votos

Em alguns casos, os votos enviados pelos Correios demoram mais tempo para serem computados. O Supremo Tribunal da Pensilvânia, por exemplo, prolongou o prazo para a contagem dos votos por correspondência. Assim, os boletins de voto que chegarem até 6 de novembro serão contados.

Por conta da pandemia da covid-19, muitos eleitores decidiram votar pelos correios ou de forma antecipada. Até às 15h de 3ª feira (3.nov.2020) mais de 100 milhões de pessoas já tinham votado antecipadamente. O valor representa 73% de todos os votos computados na eleição de 2016. Destas, 64.709.932 votaram pelo correio. A mídia dos EUA projeta que a eleição de 2020 deve ter recorde de participação.

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