Piauiense na África do Sul tem voo cancelado por conta da variante ômicron e não sabe quando voltará para casa
“É uma situação complicada e não sabemos de nada", declara servidora
Por conta da variante ômicron do coronavírus, a África do Sul está sofrendo restrições de voos e muitos brasileiros que estavam no país foram pegos de surpresa com as medidas restritivas de combate ao vírus. É o caso da servidora piauiense Jéssyca Amorim Dias, 29 anos, que teve seu voo cancelado e agora não sabe quando poderá voltar ao Brasil.
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Piauiense na África do Sul tem voo cancelado por conta da variante ômicron e não sabe quando voltará para casa (Foto: arquivo pessoal)
Em entrevista ao Portal AZ, Jéssyca explicou que chegou ao país africano em outubro, para férias de 30 dias, inclusive com direito até intercâmbio e passeios na África do Sul. No entanto, a servidora, que é de Teresina, e está acompanhada do namorado, recebeu nas vésperas a notícia de que o voo foi cancelado e que não havia previsão de um novo voo para o Brasil.
“Vimos nossa vida virar de cabeça pra baixo logo nos últimos dias da viagem. O voo [de retorno] estava previsto para o dia 28/11 quando começaram os boatos da variante. Não pensávamos que iam tomar essa decisão tão rápida porque faltavam dois dias para nosso voo. Saímos de Joanesburg e rodamos 1.500 km de ônibus, no entanto, o voo foi cancelado por conta da variante”, explicou.
Jéssyca Dias está na África do Sul e voltaria ao Brasil no último dia 28 (Foto: arquivo pessoal)
A piauiense relatou que depois da confirmação da variante ômicron, as pessoas ficaram desesperadas e muitas queriam sair do país. Jéssyca Amorim contou que teve seu voo cancelado um dia antes de retornar ao Brasil.
“A companhia aérea cancelou o voo sem data prevista para remarcação, sem qualquer tipo de suporte e orientação. Ficamos em Joanesburgo sem conhecer ninguém porque o local que eu fiz o intercâmbio foi na cidade do Cabo, então quando a gente se viu em Joanesburgo ficamos angustiável porque não tinha voo, o aeroporto virou um caos e todo mundo tentando, a qualquer custo, sair do país”, descreveu.
A servidora detalhou ainda que no país africano há mais brasileiros na mesma situação que ela e o namorado. Jéssyca citou que um grupo foi ao consolado na cidade de Cabo para tentar resolver o problema, mas segundo ela, a direção relatou que é para aguardar e que eles estão à disposição para tentarem um novo voo, entretanto, ainda sem previsão.
A servidora e o namorado estão no país africano e seguem sem respostas sobre volta para casa (Foto: arquivo pessoal)
“É uma situação muito complicada porque nós estamos por conta. A empresa aérea não deu nenhum tipo de suporte, então nós estamos arcando com todos os custos, sendo que a gente se programou pra vir pra cá passar um mês e agora a gente não faz ideia de quanto tempo ainda vai ter que ficar”, desabafou a servidora em entrevista ao Portal AZ.
A piauiense explanou também que, até o momento, o governo brasileiro não entrou em contato para tentar solucionar o problema. “Não estão dando a importância necessária. O governo da Angola e Moçambique já têm voos de repatriação marcados e o Brasil até agora nem sinalizou nada do tipo. Infelizmente, a gente vê um descaso muito grande”, finalizou.
Brasil proíbe voos oriundos de seis países
O Brasil fechou as fronteiras aéreas com seis países da África diante de uma nova variante de coronavírus. A informação foi divulgada na semana passada pelo ministro da Casa Civil, Ciro Nogueira.
Mutação potencialmente mais infecciosa foi identificada na África do Sul e deixou o mundo em alerta (Foto: Josué Damacena/IOC/Fiocruz)
A restrição afetou os passageiros oriundos da África do Sul, Botsuana, Lesoto, Namíbia, Zimbábue e Eswatini (ex-Suazilândia). A decisão brasileira seguiu restrições de viagens impostas por diversos países, como Reino Unido, Estados Unidos e a União Europeia.
"O Brasil fechará as fronteiras aéreas para seis países da África em virtude da nova variante do coronavírus. Vamos resguardar os brasileiros nessa nova fase da pandemia naquele país. Uma portaria será publicada amanhã e deverá vigorar a partir de segunda-feira", publicou o ministro no Twitter.
Ômicron: o que se sabe sobre a nova variante do coronavírus
No último dia 26 de novembro, a Organização Mundial da Saúde (OMS) classificou a B.1.1.529 como variante de preocupação e escolheu o nome “ômicron”. Com essa classificação, a nova variante foi colocada no mesmo grupo de versões do coronavírus que já causaram impacto na progressão da pandemia: alfa, beta, gama e delta.
A ômicron foi originalmente descoberta na África do Sul. Ela é considerada de preocupação, pois tem 50 mutações, sendo mais de 30 na proteína "spike" (a "chave" que o vírus usa para entrar nas células e que é o alvo da maioria das vacinas contra a Covid-19).
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