Exclusivo: entenda o que levou à prisão de homem com R$ 1,3 mi em Teresina
RIF do Coaf apontava provisionamento de saques por meio de empresas ligadas a contratos públicos
A Polícia Federal prendeu em flagrante, na tarde de sexta-feira (19), o empresário José Felipe da Cunha Filho após ele sacar R$ 1, 3 milhão em espécie numa agência do Banco do Brasil na Rua Álvaro Mendes, no Centro de Teresina. O dinheiro, o comprovante do saque e o celular do suspeito foram apreendidos.
De acordo com depoimentos prestados por agentes da Delegacia de Repressão a Crimes contra o Patrimônio e a Ordem Tributária (Delecor) à Superintendência Regional da PF no Piauí, a operação teve origem em um Relatório de Inteligência Financeira (RIF) produzido pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) e compartilhado com a corporação um dia antes, em 18 de junho.
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O documento do RIF aponta José Felipe da Cunha Filho como principal relacionado ao lado de quatros empresas de construção e limpeza, de locação veícular e é apresentado como complemento a dois relatórios anteriores do sistema do Coaf. Segundo o relato, José Felipe vinha provisionando saques em espécie havia algum tempo em nome de empresas vinculadas a contratações públicas, sem deter capacidade financeira pessoal compatível com a movimentação.
Duas comunicações de operação em espécie haviam sido registradas para o dia 19 de junho. Uma delas, de R$ 500 mil, em nome de uma empresa de construção, com saque previsto numa agência da Rua Coelho Rodrigues. A outra, de R$ 800 mil, empresa de construção e sinalização, com saque previsto na agência da Rua Álvaro Mendes. Em ambos os casos José Felipe figurava como sacador, e a justificativa informada às instituições financeiras era “pagamento a fornecedor”.
Diante da informação, uma equipe da PF passou a vigiar a agência da Rua Álvaro Mendes a partir das 10h30. José Felipe só chegou ao local por volta das 14h55, dirigindo um Fiat Strada branco, e permaneceu alguns minutos conversando com ambulantes na calçada antes de entrar. Os agentes relataram que ele se dirigiu à área de atendimento pessoal dos caixas e só saiu da agência às 15h55, próximo do horário de fechamento, levando uma mochila preta.
Abordado pelos policiais, José Felipe abriu a mochila a pedido da equipe e mostrou maços de dinheiro em notas de R$ 50, R$ 100 e R$ 200. Questionado, afirmou que o valor sacado somava R$ 1 milhão, quantia inferior à soma das duas comunicações que constavam no RIF.
Um detalhe chamou a atenção dos investigadores. No momento em que José Felipe saiu da agência, um policial militar fardado desceu de um Volkswagen Polo branco que havia acabado de estacionar na frente do banco e foi ao encontro dele. Para os agentes federais, a demora do suspeito em deixar a agência, justamente perto do horário de fechamento, indicava que ele esperava a chegada do militar.
O policial foi identificado como o capitão Paulo Roberto de Morais, da Polícia Militar, e no veículo também estava o motorista Whanderson Sousa de Almeida. Segundo os depoimentos, o capitão declarou aos federais que havia ido até o local a pedido de José Felipe e que já o havia acompanhado em situações semelhantes outras vezes.
O delegado Alex Raniery de Freitas Santos, responsável pelo caso, avaliou que não havia, naquele momento, elementos suficientes para vincular o capitão e o motorista ao saque de origem suspeita, optando por colher esclarecimentos dos dois posteriormente.
A voz de prisão foi dada apenas a José Felipe da Cunha Filho, conduzido à sede da PF junto com o dinheiro apreendido.
O nome de José Felipe também já apareceu relacionado a outros processos, um envolvendo a Construtora Poty de Felipe Machado Santana e outro relacionado a um processo sobre transporte irregular de eleitores nas eleições do ano de 2022.
Fonte: Portal AZ