Mensagens obtidas pela PF apontam que lobista dizia ter acesso a Lula
Mensagens obtidas pela PF mostram empresária afirmou que ela e Lulinha eram “uma coisa só” nos negócios
Mensagens atribuídas à lobista Roberta Luchsinger e obtidas pela Polícia Federal apontam que ela dizia ter acesso direto ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a integrantes do governo federal. Os diálogos fazem parte de uma investigação que também apura a atuação de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, em negócios relacionados à administração pública.
Segundo informações divulgadas pela revista Veja e confirmadas pela CNN, em uma conversa de janeiro de 2024, Roberta afirmou ao empresário Gustavo Gaspar que Lula teria oferecido a ela um cargo no governo, mas que recusou a possibilidade para continuar atuando em uma sociedade com Lulinha e Fernando Bittar.
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Em outro trecho analisado pela PF, Roberta afirmou que ela e Lulinha eram “uma coisa só” nos negócios. De acordo com o relatório policial, embora o filho do presidente mantivesse uma postura menos exposta nas negociações, as mensagens indicariam que ele tinha relevância nas decisões relacionadas aos projetos discutidos pelo grupo.
Investigação envolve contratos no Ministério da Saúde
A investigação busca esclarecer se o grupo teria utilizado contatos no governo para favorecer interesses da empresa de Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, que atua no segmento de produtos medicinais à base de cannabis.
As mensagens também mencionam negociações com integrantes do Ministério da Saúde. Conforme a investigação, o grupo teria recorrido a Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola, então chefe de gabinete presidencial, para viabilizar uma reunião com Swedenberger Barbosa, que ocupava o cargo de secretário-executivo da pasta.
Após o encontro, Marcola teria recebido uma minuta de contrato relacionada ao fornecimento de cannabis medicinal ao Ministério da Saúde sem licitação, segundo a apuração.
Pagamentos e joias
A PF também identificou pagamentos feitos por Roberta a Marcola entre fevereiro e novembro de 2024. Conforme os dados citados na investigação, os valores destinados ao então assessor somaram R$ 217.098.
Além dos pagamentos, a lobista teria comprado joias avaliadas em aproximadamente R$ 9,2 mil para Marcola. Até o momento, segundo as informações apresentadas na investigação, ele não é investigado no inquérito.
As conversas também revelaram que Roberta projetava ganhos de até R$ 100 milhões em 2024 com os negócios mantidos pelo grupo.
Em outro diálogo, ela teria orientado o próprio motorista sobre entregas de malas com dinheiro em espécie a diferentes destinatários.
Lulinha deixou o Brasil
As mensagens também fazem referência à saída de Lulinha e de sua família do Brasil. Em janeiro de 2025, Roberta afirmou que precisaria “destravar” negócios porque ele deixaria o país até junho daquele ano.
Posteriormente, Lulinha se mudou para Madri, na Espanha, onde passou a viver com a família. De acordo com a PF, entretanto, a mudança já estava planejada anteriormente.
O advogado de Lulinha, Marco Aurélio de Carvalho, negou que o empresário tenha relação com negócios envolvendo a administração pública brasileira. Em declaração à revista, afirmou que o cliente é alvo de suspeitas por carregar o sobrenome do presidente.
A investigação segue em andamento para esclarecer a participação dos envolvidos e a eventual existência de irregularidades nas negociações mencionadas nas mensagens.
Fonte: Com informações da CNN