PF diz que lobista negociava entre empresas privadas com o governo federal
O inquérito também apura a possível participação de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Lula
A Polícia Federal investiga se a lobista Roberta Luchsinger atuou para intermediar negócios entre empresas privadas e o governo federal em áreas consideradas estratégicas, principalmente saúde e tecnologia da informação. O inquérito também apura a possível participação de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, nas tratativas.
Segundo a investigação, Roberta teria utilizado diferentes contatos para acessar órgãos do governo. Na área da saúde, um dos nomes citados pelos investigadores é Antônio Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”. A PF apura a atuação de uma empresa interessada em ampliar a comercialização de produtos medicinais à base de cannabis e buscar a inclusão desses produtos no Sistema Único de Saúde (SUS).
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Mensagens encontradas no celular da lobista indicam que ela participou de reuniões no Ministério da Saúde com o então secretário-executivo da pasta. Em uma das conversas, um contrato teria sido encaminhado por Roberta ao então chefe de gabinete do presidente Lula, Marco Aurélio Ribeiro, conhecido como Marcola.
A PF estima que os negócios em discussão poderiam alcançar R$ 630 milhões. Em mensagens analisadas pelos investigadores, Roberta também teria mencionado a expectativa de receber até R$ 100 milhões em 2024 pela intermediação de negócios com o governo.
Até o momento, porém, a investigação não identificou uma contrapartida concretizada em contratos que beneficiassem diretamente o grupo formado por Roberta, Lulinha e Marcola, segundo a PF.
Tecnologia
Na área de tecnologia da informação, a investigação concentra-se na empresa 3Structure IT, de Cleber Ribas. A PF encontrou conversas entre o empresário e Roberta nas quais são mencionadas despesas que teriam sido custeadas para Lulinha.
Em um dos diálogos, de agosto de 2025, Roberta relata ao empresário que Lulinha teria cogitado solicitar diretamente a ele recursos para despesas pessoais.
De acordo com relatório encaminhado pela PF ao Supremo Tribunal Federal (STF), Lulinha aparece nas conversas como possível “destinatário de pagamentos e benefícios”.
Os investigadores trabalham com a hipótese de que Roberta tenha sido contratada para facilitar contatos com integrantes do governo e que Lulinha tenha participado das articulações em busca de negócios.
Segundo levantamento divulgado pela CNN, a empresa de tecnologia possui R$ 55,7 milhões em contratos com o governo federal.
A empresa afirma que contratou a consultoria de Roberta para serviços de assessoria, prospecção de clientes e identificação de oportunidades de negócios no setor de tecnologia. A defesa de Cleber Ribas nega irregularidades e afirma que os contratos foram firmados de forma transparente e seguindo os procedimentos previstos em lei.
A Dataprev, por sua vez, informou que não possui contratos com a empresa citada na investigação.
A PF ainda apura as relações entre os envolvidos e se houve efetivamente tráfico de influência ou outras irregularidades nas negociações investigadas.
Fonte: Com informações da CNN