Juízes do Brasil recebem até seis vezes mais que magistrados de Portugal

Estudo aponta supersalários e cobra explicações sobre bônus fora do teto constitucional

Por Dominic Ferreira,

Um estudo internacional revelou que magistrados brasileiros podem receber até seis vezes mais do que juízes em Portugal, evidenciando distorções salariais no funcionalismo público. O levantamento, organizado pelas entidades Movimento Pessoas à Frente e República.org, analisou a remuneração de servidores em 10 países e destacou o Judiciário brasileiro como um dos casos mais expressivos de disparidade.

Foto: Ed Alves / CB/DaPressokk

A pesquisa confrontou dados do Brasil com os de Alemanha, Argentina, Chile, Colômbia, Estados Unidos, França, Itália, México, Portugal e Reino Unido. Apesar de a remuneração inicial dos juízes brasileiros figurar entre as mais altas, a maior diferença aparece no topo da carreira: magistrados no país chegam a ganhar múltiplas vezes mais que autoridades equivalentes em várias nações, incluindo cortes constitucionais europeias e latino-americanas.

O estudo também aponta que quase 11 mil juízes brasileiros receberam mais de US$ 400 mil por ano, considerando a Paridade de Poder de Compra, entre agosto de 2024 e julho de 2025. Há registros de casos com remunerações superiores a US$ 1,3 milhão no período, impulsionadas principalmente por pagamentos retroativos e adicionais incorporados à remuneração.

Segundo a análise, os chamados “penduricalhos”, como gratificações, indenizações, adicionais por tempo de serviço e benefícios diversos, são determinantes para a formação dos supersalários e frequentemente ficam fora do teto constitucional. O tema ganhou novo fôlego após decisão do ministro Flávio Dino, do STF, que deu prazo de 60 dias para que os Três Poderes expliquem a existência e a manutenção dessas vantagens no serviço público.

Fonte: Correio Braziliense

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