Brasil rejeita incluir Pix em acordo para evitar tarifaço dos Estados Unidos
Governo admite negociar temas comerciais, mas mantém sistema fora das tratativas
O governo federal reafirmou que o Pix não será incluído nas negociações com os Estados Unidos para tentar evitar a aplicação de novas tarifas sobre produtos brasileiros. A posição foi apresentada durante reunião entre representantes dos dois países, em meio ao avanço da investigação comercial conduzida pelo Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR), que questiona práticas adotadas pelo Brasil, incluindo o sistema de pagamentos instantâneos.
Nas conversas realizadas em Washington, o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços apresentou uma proposta de negociação que contempla outros pontos da investigação americana, como tarifas preferenciais, acesso ao mercado de etanol, proteção à propriedade intelectual, combate à corrupção e desmatamento ilegal. Entre as medidas discutidas está a possibilidade de redução de tarifas incidentes sobre cerca de 300 tipos de operações comerciais envolvendo os Estados Unidos. O Pix, no entanto, foi retirado de qualquer possibilidade de negociação pelo governo brasileiro.
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A defesa do sistema de pagamentos também ganhou contornos políticos. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que o Pix representa uma conquista tecnológica do país e classificou como inegociável a soberania brasileira sobre a ferramenta. A manifestação ocorreu após declarações do senador Flávio Bolsonaro, que sugeriu aos Estados Unidos medidas para reduzir preocupações com o sistema durante as discussões sobre o possível tarifaço, intensificando o embate entre governo e oposição.
Criado em 2020 pelo Banco Central, o Pix tornou-se o principal meio de pagamentos utilizado no Brasil, superando cartões e dinheiro em espécie. O sistema aparece entre os principais pontos questionados pela investigação americana, que poderá resultar na imposição de tarifas de até 25% sobre produtos brasileiros. Enquanto as negociações seguem em andamento, o governo brasileiro mantém a estratégia de buscar um acordo comercial sem abrir mão do funcionamento do Pix.
Fonte: CNN Brasil