Ministro critica sanções dos EUA contra brasileiros por suposta ligação com o PC

Dario Durigan defende atuação das autoridades nacionais e cobra respeito à soberania

Por Dominic Ferreira,

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, criticou nesta quarta-feira (1º) a decisão do governo dos Estados Unidos de aplicar sanções a brasileiros e empresas por suposta ligação com o Primeiro Comando da Capital (PCC). Em entrevista à TV Record, o ministro afirmou que a responsabilidade pelo combate ao crime organizado em território nacional cabe exclusivamente às instituições brasileiras, defendendo que órgãos como as polícias, o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) e a Receita Federal possuem competência para investigar e combater esse tipo de atividade.

Foto: Washington Costa/MFMinistro da Fazenda, Dario Durigan
Ministro da Fazenda, Dario Durigan

Durigan também alertou para os riscos de medidas unilaterais adotadas por governos estrangeiros, afirmando que a cooperação internacional deve ocorrer por meio do compartilhamento de informações entre os países. Segundo o ministro, sanções aplicadas sem o devido processo podem atingir empresas legalmente constituídas e cidadãos que não tenham oportunidade de recorrer de forma adequada. Para ele, o enfrentamento ao crime organizado precisa respeitar a soberania brasileira e as garantias legais.

As declarações ocorreram após o governo norte-americano anunciar as primeiras sanções contra pessoas físicas e jurídicas no Brasil desde que classificou o PCC e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas. As medidas atingem dois brasileiros, três empresas sediadas no Brasil e uma companhia em Portugal, acusados pelas autoridades dos Estados Unidos de integrar um esquema de lavagem de dinheiro ligado ao tráfico internacional de drogas. De acordo com o governo americano, a organização teria movimentado mais de US$ 30 milhões em recursos provenientes de atividades ilícitas.

Entre os alvos das sanções estão Victor Henrique de Oliveira Shimada, apontado como líder do esquema, e Stella Stefanie Nunes Henrique de Oliveira, identificada como colaboradora na movimentação de recursos e apoio logístico. Também foram sancionadas as empresas Victory Trading, Pixwave Soluções de Pagamentos, Wave Construções Inteligentes e a portuguesa Avenidas Flutuantes Unipessoal. As medidas determinam o bloqueio de bens sob jurisdição dos Estados Unidos e proíbem cidadãos, empresas e instituições financeiras americanas de manter relações comerciais ou financeiras com os sancionados.

Fonte: Infomoney

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