Posse de celular entre crianças cai pela primeira vez, aponta IBGE
Preocupação com segurança e privacidade lidera motivos para adiar acesso ao aparelho
A proporção de crianças brasileiras entre 10 e 13 anos que possuem telefone celular caiu pela primeira vez desde o início da série histórica da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua, iniciada em 2016. Os dados, divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostram que, em 2025, 55,2% das crianças dessa faixa etária tinham aparelho próprio, uma redução de 1,5 ponto percentual em relação ao ano anterior. O principal fator apontado para essa mudança foi a crescente preocupação das famílias com a segurança e a privacidade dos filhos no ambiente digital.
Entre os responsáveis por crianças que ainda não possuem celular, 32% afirmaram que a principal razão para adiar o acesso ao aparelho é justamente a preocupação com riscos relacionados à segurança e à exposição na internet. Esse percentual representa um crescimento de 7,8 pontos percentuais em comparação com 2024 e praticamente dobrou desde 2022. Em anos anteriores, fatores como o alto custo do equipamento, a falta de necessidade e o compartilhamento do celular com outros familiares apareciam como os motivos mais frequentes para a ausência do dispositivo.
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Segundo o analista do IBGE Gustavo Fontes, a faixa etária de 10 a 13 anos foi a única que apresentou redução na posse de celulares. Nas demais idades, o uso continuou avançando e alcançou 89,8% da população brasileira. Para o especialista, o resultado pode estar relacionado ao aumento da preocupação das famílias com a proteção das crianças nas redes sociais e também às restrições ao uso de celulares nas escolas, implementadas recentemente em diversas redes de ensino.
Os dados mostram uma mudança no comportamento das famílias em relação ao uso da tecnologia por crianças. Se antes a principal barreira era financeira, agora a prioridade passou a ser a proteção contra riscos no ambiente digital. O levantamento do IBGE indica que a conscientização sobre privacidade, exposição nas redes sociais e segurança online tem influenciado cada vez mais as decisões dos responsáveis, refletindo um novo cenário no acesso de crianças aos dispositivos móveis no Brasil.
Fonte: Agência Brasil