PF detalha relação de Jaques Wagner com ex-sócio do Banco Master

Relatórios enviados ao STF apontam contatos frequentes, encontros e supostas vantagens ao senador.

Por Redação Portal AZ,

Relatórios da Polícia Federal encaminhados ao Supremo Tribunal Federal (STF) descrevem uma relação de proximidade entre o senador Jaques Wagner (PT-BA) e Augusto Ferreira Lima, ex-sócio do Banco Master. Segundo a investigação, o vínculo teria favorecido interlocuções sobre interesses da instituição financeira e envolvido a concessão de supostas vantagens indevidas ao parlamentar, hipótese negada por sua defesa.

Foto: ReproduçãoJaques Wagner foi intimado pela PF a depor em investigação sobre supostas vantagens indevidas.
Relatórios da PF apontam contatos frequentes entre Jaques Wagner e ex-sócio do Banco Master.

Documentos tornados públicos pelo ministro André Mendonça, relator do caso no STF, apontam que Jaques Wagner manteve contato frequente com Augusto Ferreira Lima, conhecido como "Guga", entre novembro de 2023 e maio de 2025. De acordo com a Polícia Federal, os dois trocaram 74 ligações telefônicas, que somam cerca de cinco horas e meia de conversas.

Os investigadores afirmam que a relação entre o senador e o ex-sócio do Banco Master extrapolava o âmbito pessoal e servia como canal para tratar de assuntos de interesse da instituição financeira. A corporação também sustenta que a proximidade aproximou Wagner do então controlador do banco, Daniel Vorcaro.

A investigação reúne mensagens, registros de viagens e encontros entre as famílias, além de diálogos sobre pautas legislativas e movimentações envolvendo o Banco Master. Em um dos episódios citados, o senador e a esposa teriam participado de um fim de semana na chamada Ilha da Paixão, propriedade então vinculada a Augusto Lima, utilizando uma aeronave ligada ao empresário.

Os relatórios também mencionam uma lista de presentes de fim de ano elaborada pela equipe de Augusto Lima, que incluía autoridades políticas, entre elas Jaques Wagner, Rui Costa, Jerônimo Rodrigues, Bruno Reis, ACM Neto e Antônio de Rueda. A PF afirma que, posteriormente, foram identificadas embalagens destinadas ao senador.

Segundo a corporação, conversas extraídas dos aparelhos apreendidos indicam que Augusto Lima mantinha Wagner informado sobre negociações do Banco Master, incluindo alterações societárias, tratativas com o Banco de Brasília (BRB) e discussões legislativas relacionadas ao setor financeiro. As mensagens mostram reações do senador às atualizações, mas não registram o conteúdo de eventuais tratativas.

Os investigadores também descrevem reuniões realizadas no gabinete de Jaques Wagner, incluindo uma tentativa de encontro com Augusto Lima e uma pessoa identificada nas mensagens como "Messias", apontada pela PF como possível referência ao advogado-geral da União, Jorge Messias. Em nota, o AGU afirmou que nunca participou de reunião com Augusto Lima no gabinete do senador.

Outro ponto da investigação envolve a chamada "Emenda Master", proposta que ampliava o limite de cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC). Para a PF, mensagens analisadas indicam que Wagner acompanhava diretamente a tramitação da medida, considerada estratégica para os interesses do Banco Master.

A Polícia Federal também atribui ao núcleo ligado ao banco a oferta de benefícios ao senador, como uso de aeronaves, ingressos para eventos e a negociação de um apartamento avaliado em R$ 2,45 milhões, em Salvador. Segundo os investigadores, as tratativas sobre o imóvel teriam continuado mesmo após a prisão de Daniel Vorcaro, em novembro de 2025.

Jaques Wagner foi alvo de mandado de busca e apreensão durante a nona fase da Operação Compliance Zero, deflagrada em junho. Antes da ação, o ministro André Mendonça autorizou o acesso a registros telefônicos e o monitoramento da localização aproximada do celular do senador por dez dias, sem permissão para interceptação do conteúdo das comunicações.

Fonte: CNN Brasil

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