Marketing político explica vantagem de Rafael no Piauí

Levantamento revela fatores que fortalecem a reeleição

Por Márcio Felipe | Jornalista Especializado em Marketing Político,


A mais recente pesquisa do Instituto Data AZ oferece um panorama consistente do cenário eleitoral piauiense e fornece elementos importantes para uma análise fundamentada no marketing político. Mais do que revelar a liderança do governador Rafael Fonteles (PT), o levantamento evidencia como fatores como aprovação administrativa, posicionamento de imagem, comunicação institucional, percepção de eficiência e alinhamento político podem influenciar o comportamento do eleitor.

Foto: Imagem gerada por IA.OK

A pesquisa foi realizada entre os dias 20 e 27 de julho de 2026, ouvindo 1.200 eleitores com 16 anos ou mais em Teresina e outros 81 municípios, abrangendo os 12 Territórios de Desenvolvimento do Estado. O levantamento possui margem de erro de 2,48 pontos percentuais, nível de confiança de 95% e está registrado no TRE-PI (PI-07910/2026), para governador, e no TSE (BR-05908/2026), para presidente.

Sob a ótica do marketing político, o primeiro aspecto que chama a atenção é a transformação da aprovação administrativa em intenção de voto. Essa conversão representa um dos principais objetivos de qualquer estratégia eleitoral. Quando a população reconhece resultados positivos de uma gestão, tende a reduzir o grau de incerteza diante da continuidade do projeto político.

Na pesquisa estimulada para governador, Rafael Fonteles aparece com 53,08% das intenções de voto. Joel Rodrigues (Progressistas) registra 12,83%. Em seguida, surgem Eliseu Aguiar (Novo), com 0,83%; Ravenna Castro (Democracia Cristã), com 0,33%; José Maia Filho, o Mainha (Podemos), com 0,25%; Geraldo Carvalho (PSTU), Jesus Rodrigues (Cidadania) e Toni Rodrigues (PL), todos com 0,17%. Francisco Juriti (DC) e Lúcia Santos (PSDB) não pontuaram.

O levantamento ainda identifica 19,58% de eleitores indecisos ou que preferiram não responder e 12,58% que declararam voto branco, nulo ou em nenhum candidato.

Ao considerar apenas os votos válidos, metodologia utilizada pela Justiça Eleitoral para definir o resultado oficial das eleições, Rafael Fonteles alcança 78,25%, enquanto Joel Rodrigues chega a 18,91%. Eliseu Aguiar registra 1,22%; Ravenna Castro, 0,49%; Mainha, 0,36%; e Geraldo Carvalho, Jesus Rodrigues e Toni Rodrigues aparecem com 0,24% cada.

Em marketing político, diferenças dessa magnitude representam muito mais do que uma liderança confortável. Elas indicam elevado grau de consolidação da imagem do candidato junto ao eleitorado. Quando a vantagem supera cinquenta pontos percentuais sobre o principal adversário, a campanha deixa de concentrar esforços apenas na conquista de novos eleitores e passa a priorizar a preservação da confiança já construída.

Outro indicador estratégico é a pesquisa espontânea, considerada um dos instrumentos mais relevantes para avaliar o nível de presença de uma candidatura na memória do eleitor.

Sem que os entrevistados recebam qualquer relação de nomes, Rafael Fonteles é citado por 38,25%, enquanto Joel Rodrigues aparece com 6,92%. Os demais candidatos registram índices inferiores a 1%.

Mais significativo ainda é observar que 53,33% dos entrevistados afirmaram não saber ou preferiram não indicar espontaneamente um candidato. Esse dado demonstra que uma parcela expressiva do eleitorado ainda não verbaliza sua escolha eleitoral, embora isso não signifique ausência de preferência política.

Quando excluídos os indecisos, os votos brancos e os nulos, Rafael Fonteles alcança 83,15% dos votos válidos na pesquisa espontânea, contra 15,17% de Joel Rodrigues.

Para o marketing político, esse resultado evidencia uma marca eleitoral consolidada. O eleitor reconhece o nome do governador sem necessidade de estímulos, indicando elevado nível de lembrança espontânea, fator que reduz custos de comunicação e amplia a eficiência das estratégias de campanha.

Outro conjunto de indicadores reforça essa percepção.

A pesquisa revela que 74,75% dos entrevistados aprovam a administração de Rafael Fonteles. Apenas 19,08% desaprovam sua gestão, enquanto 6,17% não souberam ou preferiram não responder.

No marketing político, uma aprovação elevada representa um dos ativos mais importantes de uma candidatura à reeleição. Governos bem avaliados normalmente conseguem associar a continuidade administrativa à segurança, à previsibilidade e à estabilidade institucional.

A avaliação qualitativa confirma esse ambiente favorável.

Segundo o levantamento, 34,58% classificam o governo como bom; 20,08%, como ótimo; e 22,50%, como regular positivo. Somadas, essas avaliações alcançam 77,16% de percepção favorável.

Na avaliação negativa, 8,50% consideram a gestão péssima; 4,83%, ruim; e 4,58%, regular negativo. Outros 4,92% não opinaram.

Esses indicadores demonstram que a imagem administrativa permanece consistente junto ao eleitorado. Em marketing político, quando a percepção positiva supera amplamente a negativa, a comunicação eleitoral tende a concentrar-se na valorização das entregas realizadas, reforçando atributos já reconhecidos pela população.

A pesquisa também investigou quais palavras melhor representam o atual governo.

Para 40,75% dos entrevistados, Rafael Fonteles administra um governo eficiente. Outros 15,42% definem a gestão como realizadora. Apenas 10,50% utilizam a palavra "ineficiente".

Esses dados são especialmente relevantes porque medem atributos da marca política. Candidatos não disputam apenas votos; disputam percepções. Quando a eficiência passa a integrar a identidade pública de um governante, sua imagem ganha maior resistência às críticas e fortalece a narrativa construída durante a campanha.

Outro indicador importante refere-se ao cumprimento das promessas eleitorais.

Para 45,75% dos entrevistados, Rafael Fonteles fez exatamente aquilo que prometeu durante a campanha de 2022. Outros 15,50% afirmam que realizou mais do que havia prometido.

Por outro lado, 23,33% acreditam que realizou menos do que prometeu, enquanto 8% entendem que não cumpriu suas promessas. Outros 7,42% não responderam.

No marketing político, a credibilidade constitui um patrimônio eleitoral. Quando a maioria do eleitorado percebe coerência entre discurso e ação governamental, fortalece-se a confiança, elemento decisivo para campanhas de continuidade.

O levantamento também evidencia a influência do cenário nacional.

Na disputa presidencial estimulada, Luiz Inácio Lula da Silva registra 56,58% das intenções de voto no Piauí. Flávio Bolsonaro aparece com 15,17%. Ronaldo Caiado soma 2,42%; Renan Santos, 1,17%; Augusto Cury, 0,58%; Samara Martins, 0,25%; Romeu Zema, 0,17%; e Hertz Dias, 0,08%.

Nos votos válidos, Lula alcança 74,04%, enquanto Flávio Bolsonaro registra 19,84%.

Na pesquisa espontânea, Lula obtém 52,42%, contra 10,50% de Flávio Bolsonaro. Nos votos válidos, o presidente alcança 80,05%, enquanto seu principal adversário registra 16,01%.

Outro dado merece especial atenção.

Segundo a pesquisa, 55,08% dos entrevistados afirmam considerar mais importante votar em um governador alinhado ao presidente da República.

Sob a perspectiva do marketing político, esse resultado demonstra que o alinhamento institucional entre Rafael Fonteles e Lula produz ganhos estratégicos para ambas as campanhas. Trata-se do chamado efeito de transferência de capital político, fenômeno no qual lideranças bem avaliadas compartilham atributos positivos perante o eleitorado.

Entretanto, campanhas eleitorais permanecem processos dinâmicos.

A elevada taxa de indecisos na pesquisa espontânea demonstra que ainda existe uma parcela importante do eleitorado suscetível às estratégias de comunicação dos próximos meses. Além disso, fatos políticos, conjuntura econômica, mobilização partidária, propaganda eleitoral, desempenho em entrevistas, confrontos entre candidatos e acontecimentos inesperados podem modificar percepções ao longo da campanha.

Para Joel Rodrigues, o desafio estratégico é expressivo. A distância observada nas intenções de voto exige mais do que a intensificação da propaganda eleitoral. Será necessário construir uma narrativa capaz de ampliar a visibilidade, fortalecer a identidade política, apresentar diferenciais claros ao eleitorado e reduzir gradualmente a assimetria existente em relação ao atual governador.

Sob a perspectiva do marketing político, disputas com diferenças superiores a cinquenta pontos percentuais exigem mudanças estruturais de posicionamento e comunicação, pois campanhas convencionais raramente alteram cenários dessa magnitude.

Nesse sentido, a pesquisa Data AZ revela que Rafael Fonteles inicia a disputa pela reeleição em posição amplamente favorável. A combinação de 78,25% dos votos válidos na pesquisa estimulada, 83,15% na espontânea, 74,75% de aprovação administrativa, 77,16% de avaliação positiva da gestão, percepção predominante de eficiência e alinhamento político com um presidente que registra 74,04% dos votos válidos no Estado configura um conjunto robusto de ativos eleitorais.

O marketing político ensina, contudo, que pesquisas eleitorais representam retratos de um momento específico. Não é possível cravar o resultado da eleição com antecedência. Elas identificam tendências, orientam estratégias e permitem compreender o comportamento do eleitor, mas não substituem a dinâmica da campanha. Até a apuração dos votos, a capacidade de comunicação, a gestão da imagem, a resposta aos acontecimentos e a conexão com as demandas da sociedade continuarão sendo fatores determinantes para a consolidação — ou eventual alteração do cenário atualmente apresentado pelo levantamento do Instituto Data AZ.

Fonte: Portal AZ

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