Debate sobre dignidade menstrual ganha força e impulsiona engajamento nas redes
Levantamento revela que discussões sociais e políticas sobre menstruação geram mais interação
O levantamento, realizado pela Nexus - Pesquisa e Inteligência de Dados, mapeou publicações feitas em plataformas digitais ao longo de quase dois anos, acumulando 12,4 milhões de interações. Embora a maior parte dos conteúdos trate de aspectos naturais do ciclo, como cólicas, TPM e humor relacionado ao tema, postagens com viés social e político se destacam pelo volume de engajamento. Segundo a diretora de Inteligência de Dados da Nexus, Ana Klarissa Leite e Aguiar, o interesse do público por debates sobre dignidade menstrual já está consolidado no ambiente digital.
Entre as 78 mil publicações categorizadas em 22 subtemas, cinco grupos relacionados ao impacto da menstruação na vida social e laboral, como pobreza menstrual, educação, trabalho, licença menstrual e crises humanitárias, representaram apenas 10,8% do total. Contudo, esses conteúdos tiveram taxa de interação 1,8 vez maior que todos os demais juntos. “Quando tratamos do tema sob perspectiva política e social, vemos quase o dobro de engajamento. As pessoas querem participar dessa conversa”, destacou Klarissa.
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Em relação ao engajamento específico, os subtemas “menstruação em crises humanitárias” e “licença menstrual” lideraram as interações. Embora representem menos de 1% das publicações, alcançaram médias superiores a 800 interações por post. A diretora avalia que esses números demonstram que o debate ultrapassa questões de acesso a absorventes: envolve dignidade, saúde, educação e condições de trabalho das mulheres.
A pesquisa também coincide com o avanço de políticas públicas, como o programa federal de distribuição gratuita de absorventes e o projeto de lei que prevê licença menstrual para mulheres com sintomas incapacitantes. Nesse cenário, iniciativas sociais têm ganhado destaque, como a ONG Fluxo Sem Tabu, criada em 2020 por Luana Escamilla. Com mais de 28 mil mulheres atendidas em cinco regiões do país, a organização atua com educação menstrual, distribuição de produtos, reparo de banheiros e ações informativas em comunidades. A meta é impactar 50 milhões de pessoas até 2030.
Luana reforça que o debate sobre dignidade menstrual precisa ir além da falta de absorventes. “Estamos falando de infraestrutura, acesso à informação e serviços de saúde. Ainda há muita incompreensão, mas os dados mostram que as pessoas querem aprender e dialogar”, afirma.
Fonte: Agência Brasil